Boa Leitura!

Bring The Rift | PC Review

O projeto Bring The Rift do desenvolvedor YukiShiroDev mistura a base viciante dos jogos de combinar peças com habilidades especiais, uma campanha em estilo visual novel e partidas que conseguem ser estratégicas e caóticas ao mesmo tempo. Depois de testar todos os modos disponíveis e disputar inúmeras partidas contra a inteligência artificial e no multiplayer local, posso dizer que fui surpreendido.
Bring The Rift
Agradecimentos a YukiShiroDev pela licença de imprensa de Bring The Rift

Bring The Rift é um daqueles indies que claramente foram feitos por alguém apaixonado pelo gênero. Ele não tenta esconder suas inspirações, mas também não vive apenas delas. Existe personalidade em praticamente todas as suas mecânicas.

GAMEPLAY

A base de Bring The Rift é simples: combinar blocos coloridos na vertical, horizontal ou diagonal para limpar o tabuleiro e, ao mesmo tempo, enviar obstáculos para o adversário. Parece familiar, mas rapidamente o sistema começa a mostrar suas próprias ideias.

O principal diferencial é o chamado Rift System. Durante as partidas, cada combinação realizada gera energia. Essa energia pode ser utilizada para ativar habilidades exclusivas dos personagens. Algumas criam ataques capazes de encher o tabuleiro do adversário com novos blocos, enquanto outras funcionam de maneira defensiva, limpando sua própria área ou facilitando grandes sequências de combinações.

Bring The Rift

Essa mecânica muda completamente o ritmo das partidas. Em vários momentos eu deixava de fazer uma combinação óbvia porque sabia que, alguns segundos depois, teria energia suficiente para executar uma habilidade muito mais eficiente. A partida deixa de ser apenas velocidade e passa a envolver leitura do adversário e administração de recursos. Isso adiciona uma camada estratégica que eu não esperava encontrar.

Outro ponto positivo de Bring The Rift é que cada personagem realmente oferece uma experiência diferente. As habilidades passivas e ativas alteram bastante a forma como cada partida acontece. Conforme fui desbloqueando novos Rifters, comecei a adaptar minha maneira de jogar de acordo com as características de cada um. Alguns favorecem ataques constantes, outros recompensam jogadores pacientes e existem aqueles voltados quase totalmente para controle e defesa.

Essa variedade faz com que experimentar novos personagens seja quase tão divertido quanto avançar na campanha.

Bring The Rift

Falando nisso, a narrativa gira em torno do chamado Incidente Intermundos e acompanha personagens conhecidos como Rifters, indivíduos que atravessaram portais misteriosos e voltaram com habilidades capazes de alterar a realidade. Conforme avancei pelos capítulos, novos protagonistas entram em cena e diferentes perspectivas ajudam a desenvolver o universo do jogo.

A história não possui o mesmo nível de profundidade de uma visual novel dedicada exclusivamente à narrativa, mas consegue manter o interesse. Os diálogos são leves, os personagens possuem personalidades distintas e existe um esforço perceptível para criar um mundo maior do que simplesmente “ganhar partidas de puzzle”. Foi uma surpresa agradável.

Além da campanha, passei bastante tempo experimentando os outros modos.

O Arcade é perfeito para quem quer apenas entrar em sequência de partidas sem interrupções.

O Endless funciona muito bem para testar resistência e buscar pontuações cada vez maiores.

Já o multiplayer local acabou se tornando um dos meus favoritos. É nesse modo que Bring The Rift revela seu verdadeiro potencial. Disputar partidas contra outra pessoa transforma completamente a experiência. Cada habilidade utilizada gera reações imediatas, criando confrontos intensos que lembram bastante os grandes clássicos do gênero.

Gostei também da quantidade de opções de personalização das partidas. Alterar regras, dificuldade e aparência dos blocos ajuda a manter a experiência “nova” por muito mais tempo.

Bring The Rift

A inteligência artificial merece um comentário à parte. Ela possui vários níveis de dificuldade e a diferença entre eles é perceptível. Nas configurações iniciais, serve muito bem para aprender as mecânicas. Conforme aumentei o desafio, comecei a enfrentar adversários que aproveitam muito melhor as habilidades e pressionam constantemente.

Não tive a sensação de estar enfrentando uma IA que simplesmente recebe vantagens artificiais. Na maior parte do tempo, ela vence porque realmente joga melhor. Isso torna a curva de aprendizado bastante satisfatória.

VISUAL E TRILHA SONORA

Visualmente, Bring The Rift aposta em pixel art bastante colorida e cheia de personalidade. Os personagens possuem expressões carismáticas, os cenários acompanham bem o clima futurista da narrativa e a interface é limpa, facilitando acompanhar tudo o que acontece durante partidas mais caóticas.

A trilha sonora também combina perfeitamente com a proposta. As músicas mantêm um ritmo acelerado sem se tornarem cansativas, ajudando a aumentar a tensão nos confrontos mais equilibrados.

MELHORIAS?

A curva de aprendizado das habilidades especiais pode assustar jogadores completamente iniciantes. Nos primeiros minutos, existe uma quantidade razoável de informações acontecendo ao mesmo tempo.

Também senti falta de um modo online competitivo completo. O multiplayer local funciona muito bem, mas um sistema robusto de partidas online certamente aumentaria bastante a vida útil do jogo.

Além disso, algumas animações poderiam transmitir um pouco mais de impacto visual quando grandes ataques são realizados.

São detalhes pequenos, mas que fariam diferença em futuras atualizações, acredito eu.

Mais reviews: AQUI

PATÔMETRO
Conclusão
Bring The Rift conseguiu transformar um gênero extremamente tradicional em algo que parece novo sem abandonar aquilo que tornou os puzzles competitivos tão divertidos durante décadas. O sistema de habilidades adiciona profundidade estratégica, a campanha surpreende pelo cuidado com a narrativa e a variedade de personagens mantém as partidas sempre interessantes. Some isso a uma excelente direção de arte e a uma jogabilidade extremamente viciante, e o resultado é um indie que merece muito mais atenção do que provavelmente receberá. É um jogo relativamente fácil aprender, difícil de dominar e quase impossíveis de largar depois que você entende todas as suas mecânicas.
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NOTA FINAL

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