Better Than Dead, desenvolvido pela Monte Galo e publicado pela MicroProse, é um jogo que impacta logo nos primeiros minutos. Antes mesmo da gameplay começar de verdade, o jogo já consegue surpreender.

No início, aparecem alguns flashes, como se fossem lembranças da protagonista. Em seguida, você desperta olhando para um céu. Só que, no momento em que percebe que já pode se movimentar, vem o primeiro grande impacto: aquele céu não é real. Na verdade, você está dentro de um pequeno quarto e o céu é apenas uma pintura na parede.
Conforme observa o ambiente e presta atenção nos detalhes, você rapidamente entende a situação em que a protagonista se encontra. Ela está presa contra sua vontade, vivendo em um ambiente extremamente hostil, degradante e desumano.
Desde os primeiros minutos, o jogo deixa claro que aborda um tema muito pesado. A sensação de opressão é constante, e fica evidente que a intenção do estúdio vai muito além de criar apenas um jogo de ação. Better Than Dead busca contar uma história inspirada em situações que infelizmente acontecem no mundo real, trazendo uma reflexão sobre a exploração e a violência sofridas por muitas mulheres.
Gameplay
A gameplay acontece em primeira pessoa.
Logo no início, você encontra uma carta deixada para a protagonista e também uma arma. A partir desse momento, seu objetivo é escapar daquele lugar enfrentando as pessoas responsáveis por manter aquele sistema de exploração.

O jogo possui cenas fortes e aborda temas extremamente pesados relacionados à violência contra mulheres. Durante a campanha, você enfrenta integrantes dessa organização criminosa enquanto tenta sobreviver e escapar daquele ambiente.
A jogabilidade é focada principalmente no combate. Você avança pelos cenários, elimina os inimigos e cumpre os objetivos de cada missão.
Um detalhe que chamou minha atenção é a forma como a protagonista reage quando recebe dano. Ela demonstra dor, desespero e dificuldade para continuar, aumentando bastante a sensação de imersão e fazendo o jogador sentir o peso da situação.

Cada fase apresenta um objetivo específico, mas a maioria gira em torno de infiltrar determinados locais e eliminar os líderes responsáveis por essa rede criminosa de exploração humana.
Gráficos
Graficamente, Better Than Dead impressiona bastante.
Os cenários possuem um visual extremamente realista e ajudam a transmitir toda a tensão do ambiente. A iluminação, os detalhes dos locais e a direção de arte reforçam a sensação de desconforto que o jogo pretende causar.

É justamente esse realismo que torna toda a experiência ainda mais impactante. O visual consegue transmitir muito bem o clima pesado da narrativa e aumenta significativamente a imersão do jogador.
Conclusão
Better Than Dead não é apenas um jogo de tiro.
Na minha interpretação, ele utiliza a linguagem dos videogames para fazer uma denúncia sobre um problema que infelizmente ainda existe no mundo real: a exploração, o tráfico e a violência extrema contra mulheres.
Durante toda a campanha, você acompanha a luta da protagonista para escapar daquele ambiente e enfrentar as pessoas responsáveis por manter esse sistema funcionando. Isso faz com que o combate tenha um significado maior do que simplesmente eliminar inimigos.
O próprio título do jogo acaba reforçando essa mensagem. Better Than Dead transmite a ideia de que vale a pena lutar por uma chance de liberdade, mesmo diante de uma situação aparentemente sem saída.
É uma experiência pesada e que pode incomodar muita gente justamente pelos temas que aborda. Mas, ao mesmo tempo, é um jogo que deixa uma mensagem muito forte e mostra que a proposta do estúdio parece ser muito mais provocar reflexão e conscientização do que apenas entregar um jogo de ação.
Se você decidir jogar Better Than Dead, vá sabendo que encontrará uma experiência intensa, desconfortável em vários momentos, mas com uma mensagem bastante impactante.
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