Barbarian Saga: The Beastmaster é mais um metroidvania comum, com problemas de dificuldade, progressão e bugs...
Já jogou algo que te dava a impressão de que você não saía do lugar em progressão, mesmo após algumas boas horas de jogatina? Seu personagem continua morrendo com duas pancadas, os movimentos dele continuam limitados e até os equipamentos dele continuam a quebrar enquanto você, desesperadamente, tenta economizar para comprar poções que SÓ PODEM SER ADQUIRIDAS COMPRANDO EM UMA LOJINHA?
Este é Barbarian Saga: The Beastmaster. Vamos à análise.

O Ren ficou uma fera
A premissa de Barbarian Saga é simples. Você é o ÚNICO MEMBRO sobrevivente de uma raça que foi extinta (clichê). Vivendo como mercenário, do nada, você decide que vai salvar suas terras após lutar milhares de lutas sangrentas entretendo viajantes dessas terras amaldiçoadas. Durante o começo da jornada, você ouve uma espada maléfica falar com você. Aí, Ren e a tal espada forjam uma aliança — do completo NADA também — e partem juntos para salvar o mundo.
É isso. Zero carisma. Zero vontade de querer saber mais.

Desenhos e rascunhos não são arte
Apesar dos nomes criativos e de uma variedade muito bem-vinda de biomas, os gráficos são ruins. As animações são duras a ponto de dificultarem a leitura de movimentos, inclusive de chefes e inimigos mais fortes. O design de Ren é confuso: um bárbaro de cabelo verde-claro, com olhos amarelados quando se transforma nas feras do jogo ou algo assim. Até agora não consegui identificar. Os inimigos são igualmente simples e parecem ter vindo de diversos jogos e estilos diferentes. Beastmaster é uma colcha de retalhos até mesmo no que diz respeito à sua construção de mundo, tramas e, graficamente falando, até visual.

Jogada monstruosa
Um dos poucos pontos decentes do jogo. A adição dos movimentos deixa tudo mais dinâmico e o combate em si é divertido. Há itens para se equipar, movimentos para se usar e tudo funciona normalmente, o que se espera de um metroidvania do gênero. Os animais diferentes em que Ren pode se transformar são uma adição excelente e diferente do que vemos no mercado, mas ela vem tarde e pouco agrega à jogabilidade.
Contudo, o mapa é confuso, aberto demais já no início, tem poucos pontos de viagem rápida e poucas recompensas relevantes, o que faz com que explorar desde o começo seja muito maçante. Outro fator que prejudica um jogo metroidvania é o aspecto poder versus ameaça. Explico: é normal o jogador ser fraco no começo e enfrentar ameaças comuns, menos relevantes. O que não pode acontecer é você chegar na metade e o jogo continuar frustrante ao extremo, causando basicamente o mesmo dano, com os inimigos arrebentando Ren mesmo com upgrades e movimentos coletados. Parece que você simplesmente não evolui, e isso frustra muito.

Som e Música
Efeitos sonoros comuns e música esquecível. Nada de destaque, nada que seja relevante mencionar além disso.
Parte técnica
Bugs menores prejudicam a experiência. Inimigos que repetem padrões à exaustão, hitbox ruim e até elevadores que não voltam mesmo apertando a alavanca — me fazendo perder 20 minutos ou mais de progresso — atrapalham o foco de um jogo que já é conhecido por ter pontos de salvamento e viagem muito distantes. A caverna das aranhas é o melhor exemplo, pois foi lá que pensei em fazer qualquer outra coisa além de jogar.
E eu amo jogar videogame. Me frustrou nesse nível.


Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial