Atomic Owl é um bom jogo que permite ao jogador escolher entre ele ser um roguelite ou um jogo clássico de ação e aventura. O combate é divertido, a trilha sonora é boa e os gráficos são muito charmosos, mas os controles poderiam ser mais precisos.

Atomic Owl foi uma experiência agradável. Em sua simplicidade, o jogo me trouxe memórias muito doces de jogos da era 16 bits, e isso vale tanto para a estética quanto para a exploração e o combate. Contudo, sinto que poderia ter sido mais. Incluir elementos roguelite como opção é interessante, mas penso que o foco poderia ser em oferecer mais mecânicas, inimigos e fases interessantes ao jogador. Lembrando que é um jogo de estúdio pequeno, feito com amor e por uma equipe menor, então, ainda assim, méritos e louros serão devidamente dados.
Hidalgo e sua turma
Você controla Hidalgo, uma coruja em um mundo onde pássaros vivem em cidades imensas e com muito neon. Você e seus amigos Kaze, Red e Goliam resolvem comer um Rámen depois de uma missão cansativa dos Bladewings. Bladewings são protetores da ordem do mundo onde Hidalgo e seus amigos vivem, cuidando e vigiando contra inimigos. E aí, o local onde estavam é atacado por Omega Wing, um corvo vingativo que veio atrás dos responsáveis pelo banimento dos corvos. Corrompidos, seus amigos se viram contra você, e Hidalgo resolve ir atrás de Omega e salvar seus amigos.
Durante o ataque, Hidalgo usa sua espada para se defender e acaba afetando-a com a magia de Meza. Essa energia incrivelmente poderosa, além de controlar inimigos e enlouquecê-los quando corrompida, também tem propriedades de força e magia. Sua espada e sua foice começam, então, a se comunicar com você e recebem poderes além da compreensão.
A história é bem simples e tem a nuance do bem versus mal. Eu gostei; achei que nem sempre precisamos de algo glorioso no roteiro. O problema são alguns diálogos, principalmente os falados. A espada é irritante. Muito irritante. A voz não combina e, ainda por cima, as piadas não funcionam. O restante do elenco agrada. Uma pena que não puderam colocar falas na íntegra, mas é algo compreensível.
Pássaros em pixel art
Atomic Owl usa gráficos desenhados à mão com o foco na arte dos pixels. O destaque aqui é para a ambientação e o design dos personagens. Todos são muito bem-feitos e coloridos. Casam muito com as localidades. Minha única crítica talvez seja no tamanho de Hidalgo. Achei ele muito pequeno se comparado a outros elementos na tela, mas é algo que não atrapalha no combate. Uma coisa que acho bacana é que todo o jogo é construído na estética do Japão. As cidades, trajes e guerreiros remetem a isso, e casa muito bem, criando algo que se destaca.
Jogando, voando e caindo
A jogabilidade de Atomic Owl é focada na ação. Você pulará, usará uma esquiva com invencibilidade em momentos-chave e também vai coletar recursos na sua jornada. Sua espada se transforma em 4 tipos de armamento que variam de uma corrente a uma espada massiva que causa mais dano e uma foice que se lança e rebate entre inimigos. Já nos primeiros minutos você irá se familiarizar e já estará cortando tengus a rodo.
A moeda do jogo, a força vital encontrada conhecida como Meza, faz com que Hidalgo evolua de nível, ganhando um ponto de vida no processo. Almas azuis são a outra moeda do jogo e servem para trocar por vidas extras na jornada ou habilidades melhores na fogueira, que é o hub central da aventura. Se você escolher o modo rogue, sempre que você perder todas as vidas, voltará até esse local.
Hidalgo também coleta poderes aleatórios que facilitam a vida, como ataques que acertam ondas de choque gerando dano extra, recuperar vida após um tempo ou simplesmente dano incisivo de fogo ou veneno — ou ambos, o que é muito bom. Se perder todas as vidas, você voltará a esse local caso opte pelo modo rogue, e não há um ponto de checagem.

O problema da jogabilidade são os movimentos de pulo, esquiva e passar pelos trechos de plataforma. Hidalgo é um pouco complicado de se controlar nesses momentos, e muito disso se deve a movimentos de escalada de paredes e aos pulos imprecisos. Você pode coletar até pulo triplo, mas ele é tão curto e os comandos atrasam tantas vezes que você prefere usar o movimento de esquiva para cima ao invés de arriscar nos trechos mais difíceis.
E é sempre uma luta extra quando você deve encarar vários inimigos em locais mais altos e o pulo de escalada faz com que Hidalgo imediatamente se jogue para o outro lado. Mas, às vezes, ele simplesmente se puxa para a plataforma com um impulso, movimento esse que ocorre se atingimos a beirada no momento exato e que era, em 90% do tempo, o que queríamos fazer. Existirá um trecho onde você deve correr de um perseguidor. Vocês vão entender exatamente o que falo.
Trilha sonora maravilhosa
As músicas do jogo são muito boas e gostosas de se ouvir. O trabalho aqui merece destaque e carinho, porque faz a jornada inclusive mais divertida. XENNON e Shibuya 84 criaram, através de seus estilos, uma história contada para Atomic Owl pelo som muito competente. O destaque para mim vai para a trilha do menu inicial e a da última fase.
Funcionando como deve
O port de PS5 funcionou bem. O único bug que tive é que, durante um trecho, eu caí em um buraco e, quando voltei para o ponto de checagem, a tela ficou escura. Eu ouvia Hidalgo e os inimigos, mas o jogo congelou. Retornei ao menu e selecionei continuar. Funcionou. Foi o único entrave na jornada.
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Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial
