Atomic Owl é um jogo de ação com elementos roguelite, plataforma 2D e visual em pixel art. Desenvolvido pela Monster Theater e publicado pela Eastasiasoft Limited, o título já chama atenção de cara por reunir vários elementos muito populares — e, no meu caso, favoritos — além de apostar em um protagonista inusitado: uma coruja.

Do que se trata
Na história, acompanhamos Hidalgo, uma coruja integrante das Bladewings, grupo responsável por proteger o mundo. Após uma missão cansativa, ele e seus amigos Kaze, Red e Goliam decidem relaxar com um ramen. É nesse momento que tudo dá errado: um corvo vingativo chamado Omega Wing aparece e corrompe seus companheiros.
A partir daí, Hidalgo embarca em uma jornada para salvar seus amigos e derrotar o vilão.
É uma narrativa clássica de vingança — simples, direta e funcional.
A história é pano de fundo para a gameplay… mas
Atomic Owl deixa claro que sua prioridade é a gameplay. A história cumpre bem o papel de contextualizar, mas não tenta ir além disso. O problema é que, justamente onde o jogo deveria brilhar, ele acaba tropeçando.

Logo no início, é possível escolher entre o modo roguelite ou um modo sem elementos rogue, o que é um ponto positivo e amplia as possibilidades para diferentes tipos de jogador.
A base do gameplay é o clássico das plataformas 2D: avançar pelos cenários, pular entre plataformas, atacar inimigos e esquivar. Uma fórmula já conhecida, mas que funciona muito bem quando bem executada.
E esse é o ponto: quando bem executada.
Não é exatamente o caso aqui.
O jogo apresenta imprecisões nos comandos, especialmente no pulo — que acaba sendo o maior problema da experiência. O pulo duplo, por exemplo, muitas vezes mais atrapalha do que ajuda, dificultando alcançar plataformas em momentos importantes. Em várias situações, usar pulo + dash se mostrou mais eficiente do que confiar na mecânica de pulo duplo.

Combate e progressão salvam a experiência
Se por um lado a movimentação deixa a desejar, o combate é um dos grandes acertos do jogo.
Atomic Owl oferece quatro tipos de armas, cada uma com características próprias, o que traz variedade e estratégia para os confrontos. Alternar entre elas dependendo do inimigo torna a gameplay mais dinâmica e, principalmente, muito prazerosa. É uma delícia sair cortando inimigos por aí.
As boss fights também merecem destaque: são desafiadoras, bem construídas e visualmente impressionantes, elevando o nível do jogo nesses momentos.
Outro ponto positivo é o sistema de progressão. No modo roguelite, ao morrer, o jogador retorna a uma área onde pode investir moedas coletadas durante a run em melhorias permanentes, como aumento de vida e upgrades nas habilidades.
Esse sistema adiciona um senso constante de evolução e deixa a experiência mais envolvente.

Parte artística é o grande destaque
Se a gameplay divide opiniões, a parte artística é praticamente irretocável.
A direção de arte em pixel art é simplesmente excelente. O jogo é extremamente bonito, com cenários variados que vão de ambientes em neon com estética cyberpunk até florestas vibrantes. Tudo é muito bem construído e visualmente marcante.
Além disso, há referências visuais inspiradas na cultura japonesa, que ajudam a enriquecer ainda mais a ambientação.
A trilha sonora acompanha esse nível de qualidade. O trabalho de XENNON e Shibuya 84 é impressionante, com músicas que elevam a experiência em todos os momentos. A trilha da fase final, em especial, é memorável e se destaca como um dos pontos altos do jogo.
Considerações finais
Vale destacar que não enfrentei bugs durante minha experiência no PlayStation 5. Finalizei o jogo em cerca de 5 horas, podendo ser concluído em menos tempo dependendo do jogador.

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escrevo sobre games como forma de arte. Artigos especiais sobre narrativa, indústria e tudo aquilo que os videogames dizem — mesmo quando não parecem estar dizendo nada.
