Se você olha pra ’83 esperando mais um FPS frenético estilo “COD“… pode ir ajustando a expectativa, e isso não é de forma alguma ruim. Aqui a proposta é outra: guerra em larga escala, comunicação constante e um pezinho bem firme no realismo (mas sem virar um simulador travado). A ideia de um “realismo acessível” é o coração do jogo, e dá pra dizer que ele acerta em partes… e tropeça em outras.

Sem história, mas com pano de fundo e objetivos
’83 não tem campanha tradicional, nem narrativa linear. O pano de fundo é um cenário idêntico aos tempos da Guerra Fria, porém, em uma visão onde tudo deu errado e de fato uma guerra acaba estourando.
Mas isso realmente fica mais como contexto do que como algo aprofundado. O foco aqui é 100% multiplayer.
O objetivo varia de acordo com o modo, mas gira sempre em torno de guerra territorial:
-> Capturar pontos estratégicos;
-> Defender áreas chave;
-> Avançar em conjunto com seu esquadrão
-> Cumprir objetivos em larga escala.
Você até consegue se destacar sozinho, mas dificilmente você fará alguma diferença na partida se não tiver o mínimo de apoio do time. Vou falar disso abaixo, na gameplay.
Gameplay
O jogo coloca 40 contra 40 em mapas grandes, com foco total em esquadrões. Você não é o protagonista da guerra, é só mais um soldado no meio dessa loucura toda. Então, não adianta querer fazer tudo sozinho, não vai acabar em vitória, no máximo você vai ser aquele cara cheio de kills do time que perdeu.
O ritmo é mais cadenciado do que a maioria dos jogos FPS multijogadores atuais. Não chega a ser lento, mas também passa longe daquele corre-corre desenfreado que é lançado quase todo mês. Cada avanço exige leitura de terreno, uso de cobertura e, principalmente, comunicação com o time.
Na prática, o loop é simples, mas exige atenção o tempo todo. Você nasce junto do seu esquadrão, avança em grupo, entra em combates extremamente letais, captura ou defende objetivos e precisa se reposicionar constantemente. Não dá pra jogar no automático.
A letalidade é um dos pontos mais marcantes. Poucos tiros já resolvem um confronto, o que aumenta bastante a tensão. Ao mesmo tempo, isso pode frustrar quem ainda está se adaptando, já que morrer rápido faz parte da experiência.
As armas seguem uma pegada mais realista. O recuo é mais pesado, a mira exige mais precisão e os combates valorizam muito o posicionamento. Não é só mirar e atirar, é saber quando, de onde e como entrar na troca. O jogo valoriza muito a estratégia do confronto, então granada de fragmentação e granada de fumaça não são itens que devem morrer com você, é preciso usar, pois são recursos essenciais para avançar ou defender objetivos.
Outro elemento importante é o sistema de classes dentro do esquadrão. Cada jogador tem uma função, e ignorar isso normalmente custa caro. Não adianta jogar bem individualmente se o time estiver desorganizado, porque o jogo claramente recompensa quem atua em conjunto.
Mas nem tudo funciona como deveria… A comunicação é essencial, só que nem sempre acontece, especialmente em partidas com jogadores aleatórios, sem falar que os servidores são todos fora do Brasil, então quando há alguma comunicação, ela precisa ser inglês, o que impõem grandes barreiras para a maioria dos brasileiros. Quem está começando pode se sentir perdido no meio da escala e da falta de direcionamento. Em algumas partidas, a experiência vira um ciclo de nascer, andar um pouco e morrer sem entender muito bem de onde veio o tiro. Também faz falta um feedback mais claro em certas situações, o que ajudaria a reduzir essa sensação de confusão.
No fim, tudo depende muito do time. Quando o squad se organiza e joga junto, ’83 entrega uma experiência tensa e extremamente envolvente. Quando isso não acontece, a frustração aparece rápido.
Direção de arte, som e técnica
Visualmente, ’83 segue uma linha mais realista, apostando em mapas amplos e uma ambientação militar convincente. Não tem exageros nem estilo chamativo, a proposta aqui é transmitir autenticidade, e isso funciona bem na maior parte do tempo.
Os mapas são grandes e bem construídos, com boa variedade de terreno. Você encontra áreas abertas, zonas urbanas e pontos ideais para emboscadas, o que impacta diretamente na forma de jogar e nas estratégias adotadas durante as partidas.
Na parte sonora, o jogo entrega um bom nível de imersão. Os tiros, os sons ambientes ajudam a construir o clima de guerra e as explosões passam intensidade nos momentos de combate. Já a trilha sonora é mais discreta, funcionando como apoio e sem roubar a atenção.
Tecnicamente, o jogo se mantém estável na maior parte do tempo, mas ainda apresenta algumas inconsistências comuns em experiências multiplayer de grande escala. Há quedas ocasionais de desempenho, pequenos bugs e um matchmaking que pode demorar dependendo da região. Nada que quebre completamente a experiência, mas o suficiente para mostrar que ainda há espaço para ajustes.
O jogo não tem servidores na América do Soul ou LATAM, então quem joga do Brasil, vai acabar enfrentando pings que passam dos 150ms, é possível jogar com qualidade porque seu ritmo não é tão frenético, porém ainda sim essa questão impacta muito na experiência, principalmente no combate frontal.
Conclusão sobre o jogo nesse estágio
Como acesso antecipado, ’83 já mostra uma base muito sólida. A proposta funciona, o gunplay é consistente e, quando o time colabora, a experiência é tensa e imersiva como prometido.
Por outro lado, ainda faltam ajustes importantes. A ausência de servidores na América do Sul impacta o ping, a comunicação em inglês vira barreira e o jogo ainda não guia bem novos jogadores, o que pode gerar frustração.
No estado atual, é um jogo com grande potencial, mas que ainda precisa amadurecer. Vale a pena ficar de olho, entrar agora é mais para quem tem paciência com acesso antecipado.
Jogos em acesso antecipado não recebem nota
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