1666 gira em torno de Noa Brooklyn, uma jovem aprendiz de apotecária na Amsterdã de 1666 que secretamente faz parte do grupo bruxesco Zaindaris.

Durante seu ritual de iniciação na feitiçaria, Noa se torna uma Coletora e escolhe um gato preto para ser seu animal familiar.
Noa passa a caçar os Originais, entidades sobrenaturais antigas corrompidas por uma força obscura conhecida como Nux. Usando o artefato Heeparan para canalizar poder e registrando tudo no grimoire místico Nuxefer, Noa enfrenta forças sombrias enquanto precisa evitar os Caçadores de Bruxas na cidade.
O jogo tem como diretor Patrice Désilets que foi o criador de Assassin’s Creed e aqui vemos rapidamente inspirações de AC.
O jogo navega entre várias épocas: Presente, 1999 e 1666.
Aaron, um professor universitário, viaja a Amsterdã para comemorar o Ano Novo de 1999 com sua parceira. Ao se envolver em um ritual ocultista em um hotel da cidade, sua consciência é lançada de volta ao século XVII, encarnando no próprio gato familiar de Noa e passando a guiá-la.
O jogo na verdade se passa no presente com Clio, a filha de Aaron. Ela investiga documentos antigos e cartas misteriosas ligadas à família. Ela tenta montar o quebra-cabeça do desaparecimento do pai e entender a estranha conexão sobrenatural entre ele, Noa e os Zaindaris através dos séculos.
Clio está no presente decifrando o Nuxefer e vivendo a história do passado. Fazendo uma analogia com AC, seria como ela usando o Animus.
A caça aos Originals também lembra AC. Tem uma lista de pessoas a serem coletadas, uma investigação para descobri-las e a luta final (equivalente ao assassinato).
Gameplay
A gameplay é interessante.
Você joga alternando Noa e Aaron. Quando está em 1666, Aaron é o gato e quando estão em 1999, é o contrário.
Noa (Gameplay Humano e Magia): Responsável pelas conversas com NPCs, manipulação de objetos mágicos, combate contra inimigos e caça aos demônios (Originais). Noa usa uma vassoura como arma de combate corpo a corpo e canaliza feitiços através do artefato Heeparan.

Aaron (Gameplay Felino e Infiltração): Com uma perspectiva em quatro patas, Aaron consegue escalar paredes, entrar por frestas e janelas, caminhar por telhados e distrair NPCs ou guardas. Ele serve para abrir passagens para Noa e coletar pistas em locais inacessíveis.
O jogo tem um ciclo dia e noite.
Durante o Dia (Investigação): Amsterdã funciona como um mapa aberto onde você explora ruas e prédios (todos com interiores acessíveis). O objetivo é conversar com cidadãos, ler pedras emblemáticas e descobrir quais humanos são, na verdade, os demônios conhecidos como Originais. Durante o dia, Noa precisa manter a barra de Suspeita baixa para não ser perseguida por Caçadores de Bruxas.
Durante a Noite / Esbat (A Caça): Quando a lua cheia surge, começa a caça. O jogo assume traços de roguelite: os Originais revelam suas formas demoníacas e você precisa enfrentá-los em batalhas. Se Noa morrer durante a noite, a rodada reinicia e os baús de habilidades não salvos são perdidos.

Eu achei o combate com os Originais bem simples nessa versão do jogo. Acredito que vão melhorar ainda pois eu mal havia conseguido as primeiras habilidades.
O gato, é fundamental na gameplay, pois ele abre portas fechadas, controla inimigos e expõe o “Original” para poder ter o Nux extraído. O gato também é responsável por converter LUX em NUX e vice-versa. A movimentação do gato ainda precisa evoluir, está meio travada.
A cidade é lotada de NPCs, embora nessa versão atual esteja bem básica. Os NPCs são feios e mal renderizados. Lembram aqueles NPCs genéricos da primeira versão de Starfield. Também vi bugs de NPCs com problemas para caminhar. Porém, isso é uma versão de acesso antecipado e tem bastante tempo para que aperfeiçoem o jogo.
O DLSS 5 pode fazer milagre nesses NPCs.
Aspectos técnicos
O jogo está sendo desenvolvido no Unreal Engine 5 e como todos os jogos nesse motor, tem momentos melhores e outros piores. Em termos de “Stutter”, se tive, nem notei, o que é uma ótima notícia.
Tirando a modelagem dos personagens e principalmente dos NPCs, achei o ambiente e os cenários do jogo muito bonitos graficamente. Reflexos e texturas bem-feitas. Não pude avaliar se estava com Ray-Tracing ou não.
Desempenho oscilou bastante entre 50 e 120 fps, usando DLSS e Frame Generation.
As legendas ainda estão parte traduzidas e partes em inglês. Algo normal em um jogo em desenvolvimento.

Resumo
Joguei por umas 7 horas antes de escrever essas primeiras impressões e posso dizer que fiquei positivamente surpreso.
Pelo preço do Acesso Antecipado na Steam de R$ 90,00, acho que vale a pena se você curte jogos estilo Assassins Creed. Tenha em mente que o escopo do projeto deve ser bem menor do que os últimos AC.
Penso que vale a pena acompanhar o projeto. Desejo sucesso à Panache Digital Games.

Ex empresário e professor de Assembly, atualmente vive em Portugal e adora passar o tempo nos seus joguinhos, com o gênero RPG de turno como seu preferido.