Depois da minha aventura inédita com Yakuza Kiwami 1 e 2, e de conhecer melhor o personagem incrível que é Kazuma Kiryu, a SEGA finalmente nos entrega o capítulo que faltava na “Dragon Engine” (A versão Like a Dragon da coisa). Yakuza Kiwami 3 (que chega acompanhado da expansão Dark Ties) não é apenas uma reforma visual; é uma construção nova que tenta equilibrar a nostalgia de 2009 com as exigências de 2026. E prepare-se para ver mais do Dragão de Dojima sendo o maior paizão do mundo!
Historia:
A história continua exatamente onde o Kiwami 2 terminou, mas com uma mudança drástica de cenário. Kiryu agora gerencia o orfanato Morning Glory, em Okinawa. Se no review dos jogos anteriores eu falei sobre a lealdade dele, aqui o foco é a paternidade, mesmo sendo explorado esse lado dele nos jogos anteriores, nesse isso aumenta. As interações com as crianças é mais imersiva e tem um peso emocional muito maior.
Basicamente, é o Kiryu em modo Chiquititas, mas com a capacidade de quebrar pescoços. Mas, como em todo começo de Yakuza, o que parece ser uma vida pacata cuidando dos pequenos logo se transforma em uma trama de conspiração política e imobiliária. O roteiro sofreu alguns retcons (mudanças na história) para se alinhar melhor aos jogos mais recentes, mas mantém o ritmo de “novela policial” que na minha opinião continua sendo perfeito.
Gameplay:
A transição para a Dragon Engine trouxe mudanças significativas no sentir do controle:
O chatissimo “Blockuza” (onde os inimigos defendiam tudo) morreu. Agora o combate é fluido e “magnetizado” — o Kiryu se ajusta automaticamente para não dar socos no vento. Isso pode ser bom para iniciantes, mas tira um pouco daquela precisão que eu tanto pratiquei para ganhar as lutas da arena. Você alterna entre o clássico Estilo Dragão (agora com golpes de Like a Dragon Gaiden) e o novo Estilo Ryukyu, focado em armas tradicionais de Okinawa, eu gostei muito mais desse estilo de combate do que dos anteriores. No primeiro Kiwami era mais dificil alterar os estilos certos, no dois isso foi melhorado mas ainda era mais travado e nesse é tudo simplesmente funcional. A gameplay muda também com nosso emo Yoshitaka Mine. Seu estilo de luta é mais agressivo (se é que tem como ser mais agressivo que um pai de menina sistemático), uma mistura de kickboxing com uma “aura emo” de 2008 que traz uma ambiguidade brutal para quem já estava acostumado apenas com o Kiryu-chan. É a história de um vilão que você ama odiar (ou ama amar,).
Direção de arte:
A diferença técnica entre o que vimos no Kiwami 2 e o que temos aqui é notável. Kamurocho agora usa o filtro azul de Judgment, muito mais limpo que o esverdeado anterior. Já Okinawa é vibrante, embora a iluminação às vezes exagere no tom alaranjado, dando um aspecto quase caricato em certas cenas de pôr do sol. Sério, prepare-se para alguns frames onde o Kiryu e as crianças parecem moradores de Springfield. O sistema de minigames ainda é um dos pontos mais fortes do game na minha opinião, mesmo eles tendo cortado alguns que eu gostava bastante. O orfanato funciona como um simulador de gestão (mas não igual ao simulador de cabaré que tínhamos no Kiwami 2), onde você cozinha, costura e ensina as crianças para arrecadar fundos. É naquele jeito Bollywood Japonês que eu sempre acho simplesmente sensacional.
Pontos negativos para mim e para os fãs
- Como eu tinha dito mais acima o jogo original tinha mais de 100 sub-stories; aqui temos apenas 31. O minigame de Hostess também foi removido, o que pode decepcionar quem busca o 100% clássico e dar aquela namorada virtual e ter cenas mais… “adultas”.
- A mudança da lore de alguns personagens que originalmente morriam alterando o peso dramático do final — uma escolha mal pensada (na minha opinião) da RGG Studio para o futuro da franquia.
- Por conta da Engine usada, muitas expressões ficaram simplesmente horríveis. O motivo é que a movimentação usada nas cenas foi totalmente reaproveitada dos jogos originais, o que cria um contraste bizarro com os modelos novos.
Conclusão
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties encerra a trilogia de remakes e não fechou tão bem quanto poderia! O fato deles terem tirado muita coisa e reaproveitado outras que não fariam bem a saúde do game, fez com que os fãs ficassem chateados e torcessem o nariz. Mas como um fã recente desse universo e apesar das ressalvas técnicas. Ele mantém a essência de ser um ótimo jogo nipônico, que tem uma historia legal e personagens marcantes como meu amado “cachorro louco” MAJIMA-CHAN!!!! (pra mim qualquer jogo Like a Dragon/Yakuza que ele estiver eu vou amar demais) e entregando momentos emocionantes e lutas brutalmente fantásticas.
Para quem veio do Kiwami 1 e 2 como eu, pode comprar o jogo sem medo, porque ele tem tudo o que os outros tem e ainda melhorar na questão das lutas.
O Patobah agradece a SEGA Brasil pela licença
Patômetro
Conclusão - 85%
85%

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