Review Tartarugas Ninja Preto Branco & Verde A Versão Mais Artística das Tartarugas Ninja?
A minissérie Teenage Mutant Ninja Turtles: Black, White & Green, publicada pela IDW Publishing e aqui no Brasil publicada pela editora Pipoca&Nanquim, aposta em resgatar as origens mais cruas das Tartarugas Ninja, agora com um diferencial visual marcante: o uso limitado das cores preto, branco e verde. Com um volume único que reúne as quatro edições independentes, a proposta é reunir diferentes artistas e roteiristas para reinterpretar os personagens em histórias curtas, acessíveis e criativas.






Ficha Técnica
A edição conta com um trabalho editorial magnífico e requintado, com capa dura com verniz localizado, e 164 páginas coloridas com um papel couchê de alta gramatura contando com uma altíssima qualidade para trazer todos os tons de cores que vemos ao longo dessas edições, também conta com vária capas variantes, esboços e artes conceituais.
História / Premissa
Diferente de runs contínuas, cada edição apresenta histórias fechadas e autônomas. Isso significa que não há uma narrativa linear, o foco está em explorar múltiplas versões das Tartarugas, variando de aventuras urbanas a narrativas mais introspectivas ou até experimentais. Essa estrutura permite revisitar temas clássicos como família, irmandade e justiça, mas sob perspectivas distintas, dependendo da equipe criativa envolvida em cada conto.
Narrativa e Ritmo
O maior trunfo e também o principal desafio da série é sua natureza antológica, em um mesmo número, você pode encontrar histórias intensas e bem desenvolvidas ao lado de outras mais simples ou menos memoráveis.
Enquanto algumas narrativas conseguem capturar perfeitamente a essência das Tartarugas, outras acabam soando como ideias interessantes que não tiveram tempo suficiente para se aprofundar. Essa irregularidade é perceptível ao longo das quatro edições, embora o saldo geral seja positivo.
Direção de Arte / Estilo Visual
A limitação de cores não é uma restrição, é um recurso criativo. Cada artista usa o verde de forma estratégica, seja para destacar ação, criar atmosfera ou enfatizar elementos simbólicos. O resultado é uma identidade visual única em cada história, que varia entre o estilizado, o experimental e o clássico.





Além disso, a diversidade artística reforça a ideia de que as Tartarugas Ninja são personagens extremamente versáteis, funcionando bem em diferentes estilos narrativos e visuais.
Tela Verde – Declan Shalvey
Uma história focada no Donatello que sai da zona de conforto tecnológica e precisa agir no campo ao lado dos irmãos durante um confronto com um mutante perigoso. O conto trabalha bem o contraste entre inteligência e ação, reforçando o papel do Don como parte essencial da equipe.
A Espada Brutal de Leonardo – Dave Baker e Jesse Lonergan
Leonardo é transportado para um cenário quase fantástico, onde sua liderança e senso de honra são colocados à prova. A narrativa aposta em storytelling visual intenso e experimental, destacando o peso da responsabilidade de ser o líder.
A Chama que o Alimenta – Gigi Dutreix e Lorenzo Hall
Uma história centrada no Raphael, explorando sua raiva e impulsividade como força motriz. O conto mergulha no lado mais emocional e solitário do personagem, mostrando como sua fúria pode tanto ajudar quanto afastá-lo dos outros.
Roubo de Identidade – Paulina Ganucheau
Uma narrativa mais leve e criativa que brinca com identidade e percepção, colocando as Tartarugas em uma situação inusitada. O foco está no humor e na dinâmica entre os personagens, com um tom mais acessível.
Contagem de Manos – Gavin Smith
Uma história mais voltada para ação e violência estilizada, acompanhando Michelangelo e Casey Jones em uma sequência frenética de combate. Aqui o destaque é o exagero proposital e o ritmo acelerado.
Na Fartura ou na Pobreza – Tyler Boss
Um conto com abordagem mais intimista, explorando os laços entre os personagens em meio a dificuldades. A história trabalha bem o contraste entre momentos de escassez e união familiar, reforçando o tema de irmandade.
Entrega Mortal – Mikey Way e Nikola Čižmešija
Uma missão aparentemente simples se transforma em algo muito mais perigoso. A narrativa mistura ação com tensão crescente, mostrando como até tarefas rotineiras podem sair do controle no universo das Tartarugas.
O Dogu Verde – Javier Rodríguez
Uma história com pegada mais experimental e até surreal, utilizando o elemento “verde” de forma simbólica. O foco está mais na atmosfera e no estilo visual do que em uma narrativa tradicional, oferecendo uma leitura diferente do padrão.
A Fera que Sangra Verde – Jock e Dom Reardon
Uma história intensa e sombria que coloca as Tartarugas diante de uma ameaça brutal e quase incontrolável. O foco está no clima de terror urbano e na sobrevivência, com uma abordagem mais crua e violenta do universo.
Sin Sewer: O Estojo do Pecado – Dave Wielgosz e Riley Rossmo
Um conto estilizado que mergulha no lado mais decadente e noir da cidade. As Tartarugas lidam com um ambiente corrupto e cheio de perigos, em uma narrativa que mistura crime, exagero visual e atmosfera pesada.
Férias em Miami – Carlos Giffoni e Alexis Ziritt
Uma das histórias mais descontraídas da coletânea, acompanhando as Tartarugas fora de Nova York. Mesmo em clima de férias, o caos segue presente, resultando em uma aventura divertida e cheia de ação.
Sinal Verde – Cameron Chittock e Michael Shelfer
Uma narrativa dinâmica que gira em torno de decisões rápidas e timing perfeito. A história trabalha bem a ideia de agir no momento certo, com foco na agilidade e coordenação das Tartarugas em situações críticas.
Lendários – Lee Garbett
Um conto que brinca com o status mítico das Tartarugas, explorando como elas são vistas dentro de seu próprio universo. A narrativa tem um tom mais épico, quase como uma releitura lendária dos personagens.
Destruidor Fica Preso em Coisas – Chris Condon e Carson Thorn
Uma abordagem inesperadamente cômica envolvendo o vilão Destruidor. A história aposta no humor absurdo e na quebra de expectativa, mostrando um lado pouco explorado do antagonista.
Este Androide Sonha com Ovelhas Elétricas? – Jeremy Holt e Sebastián Píriz
Uma narrativa com forte influência de ficção científica, explorando identidade, consciência e o que significa ser “vivo”. A história traz uma abordagem mais filosófica dentro do universo das Tartarugas.
O Diário de Splinter – Patrick Gleason
Um conto mais introspectivo que mergulha nos pensamentos e ensinamentos do Mestre Splinter. A narrativa destaca sua visão sobre disciplina, família e o caminho das Tartarugas, funcionando como uma peça emocional e reflexiva.
Tartarugas Ninja Preto Branco & Verde Vale a pena?
Se você curte histórias variadas, com diferentes estilos artísticos e interpretações únicas das Tartarugas Ninja, a leitura vale bastante a pena. A proposta antológica permite ver Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo sob novas perspectivas, muitas vezes mais ousadas e experimentais do que o padrão tradicional.
Por outro lado, se você prefere uma narrativa contínua, com começo, meio e fim bem definidos, pode sentir falta de uma história central mais sólida. A qualidade também oscila entre os contos, o que é natural nesse tipo de formato.
No geral, Preto Branco & Verde é uma HQ que vale pela criatividade, pela arte e pela liberdade dada aos autores. Não é a melhor porta de entrada para quem busca uma saga linear, mas é uma excelente leitura para fãs que querem ver até onde o universo das Tartarugas Ninja pode ir.
Gostou desse artigo? Veja mais AQUI


Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah
