Boa Leitura!

Romeo is a Dead Man | PS5 Review

Romeo is a Dead Man é mais uma viagem maluca de SUDA 51 e seu time da Grasshopper Manufacture. Com um combate divertido, músicas autorais e personagens excêntricos, o jogo não tem medo de ditar seu próprio ritmo.
Romeo is a Dead Man
Romeo is a Dead Man

Começo esta análise dizendo o óbvio: sou fã de Suda 51 e da Grasshopper. Shadows of the Damned nem é o jogo mais bem avaliado, mas seu humor peculiar e sua campanha maluca me fisgaram de imediato. Conhecendo já como as coisas funcionam por aqui, ainda assim devo dizer que Romeo is a Dead Man conseguiu me surpreender. Um jogo que une o excêntrico e o convencional de uma maneira tão única, em um mercado tão saturado, merece toda sua atenção. Homenageando o trabalho do diretor e do estúdio, eu farei uma análise diferente das que vocês estão acostumados a ler por aqui.

Romeo é um cara que gosta de História

Você é Romeo Stargazer, membro da força policial de Deadford. Um dia, patrulhando com seu parceiro, vocês são atacados e mortos por uma espécie de zumbi branco. No meio da confusão e à beira da morte, seu avô injeta um instrumento em seu olho direito, quase devorado, chamado DeadGear.

Esse artefato curioso restaura sua vida e transforma seu rosto em um excêntrico capacete. E não é só isso: seu avô acaba morto nos ataques dessas criaturas à cidade e se torna uma espécie de estampa 2D na sua jaqueta. O avô de Romeo assume o papel de aliado, dando dicas e comentando os acontecimentos no desenrolar da história.

Junto desse artefato misterioso injetado em seu olho, Romeo adquire poderes fantásticos e deve usar suas novas armas para o bem de todos. Ele acaba sendo recrutado pela Polícia do espaço-tempo e deve caçar sua ex-namorada Juliet, que parece estar envolvida na ruptura do tempo, junto com outras figuras sombrias que espalham caos e medo pelas linhas temporais.

E aí está. Eu sei. Difícil de assimilar? Nem tanto. Romeo is a Dead Man pede muito pouco do jogador para entender sua história. Ao mesmo tempo em que algumas nuances precisam ser observadas, a tragédia shakespeareana tem um objetivo claro e simples. A campanha tem atividades extras, mas em grande parte é linear, o que ajuda — e muito — no entendimento do roteiro e na complexidade dos personagens. E ISSO é ótimo.

Romeo tem estilo!

Os gráficos do jogo são baseados na Unreal Engine 5. Tem seus pormenores, mas aqui a graça é a criatividade. Em um momento, estamos conferindo a história como se fosse um quadrinho. Em outro, estamos na nave Última Noite, explorando suas salas como se fosse um jogo retrô 8 bits. E isso é simplesmente incrível.

Achei que enjoaria dessa abordagem, mas é tão divertido quanto o jogo convencional.

Na maior parte do tempo, os gráficos são de alta qualidade. Ainda que texturas de rosto e cabelo sejam mais simples, o design de inimigos, cenários e até do complexo subespaço são bem feitos, e até Romeo é detalhado. Nada a reclamar dentro do escopo e proposta do jogo. Talvez a variedade de cenários careça um pouco, mas nada disso impede o estúdio de criar fases divertidas de explorar.

Romeo tem o gingado!

A jogabilidade do jogo é focada no estilo hack n’ slash. Ou seja, você deve picotar inimigos variados e chefes gigantes em arenas e localidades que o jogo te proporciona.

E Romeo tem um arsenal limitado, mas variado e funcional o bastante para o jogador criar suas próprias estratégias. São quatro armas de longo alcance, baseadas em pistolas e escopetas, e quatro armas de proximidade, que variam de uma espada motosserra a duas manoplas que dão versatilidade e velocidade ao personagem.

Para evoluir Romeo, você precisará investir uma gosma de nome Flusão Esmeralda em um minijogo chamado Deadgear Cannonbal. Você deve percorrer um labirinto coletando upgrades. Este líquido escorre dos inimigos e faz parte desses mundos distorcidos que você visita. Para evoluir armas, você precisa dos milizeiros, que funcionam como metais em RPGs convencionais.

O sistema é leve, fácil de dominar e divertido de executar, mas a jogabilidade peca nos atalhos lentos no calor da ação e na mira travada das armas de longo alcance. Romeo fica vulnerável, exigindo estratégia.

Há um movimento especial chamado Verão Sangrento, que é extremamente útil: além de causar alto dano, recupera vida e deixa as lutas mais intensas.

A parte mais divertida — e que me rendeu boas risadas — são os bastardos. Suda criou um sistema de criaturas coletáveis que funcionam como companheiros de luta. Desde um que explode até outro que cura, o segredo está em combinar esses aliados.

E sim, um deles me mandou uma carta dizendo que estava numa ilha tomando uma batida alcoólica. Genial.

Minha principal crítica vai para o mapa: ele é praticamente inútil. Sem marcadores de segredos, é difícil encontrar tudo sem guia. Ainda assim, explorando bem, dá pra encontrar bastante coisa.

Romeo gosta de ouvir músicas boas

A parte sonora é muito competente. Vai de pop japonês a jazz, com músicas autorais muito bem trabalhadas. Não quero entrar em detalhes para não estragar a experiência, mas é um dos pontos altos do jogo.

Os efeitos sonoros também são bons, principalmente o da espada, mas nada supera o avô comentando suas ações durante o gameplay.

Romeo é otimizado… às vezes

Romeo is a Dead Man é um jogo intenso, então joguei no modo performance. Ele mantém uma boa taxa de FPS, mas sofre quedas em momentos caóticos. Também notei problemas de iluminação em algumas cenas.

Nada que comprometa totalmente a experiência, mas é um ponto de atenção.

Romeo is a Dead Man

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PATÔMETRO
Conclusão
Romeo is a Dead Man é um ótimo jogo. Peculiar, fora da casinha, mas com alma. Por trás de uma história maluca, existe um jogo que entende o que é ser videogame. O combate diverte, é direto e prova que nem tudo precisa ser complexo ou soulslike para funcionar. E talvez seja isso que mais falta hoje: autenticidade. Para fechar, vale destacar a atitude da Grasshopper ao reduzir o preço do jogo no Brasil — e ainda reembolsar quem comprou antes. Um movimento raro e extremamente positivo. Se mais empresas seguissem esse caminho, talvez o mercado fosse menos complicado para o jogador brasileiro.
Gráficos
8
Jogabilidade
7.5
História
8.5
Som e música
8.5
Parte técnica
7.5
Notas do Visitante0 Votes
0
8
NOTA FINAL

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