Boa Leitura!

REVIEW | SPLIT FICTION

Graças ao histórico impecável da Hazelight, Split Fiction já trazia a promessa de ser um grande título antes mesmo de ser lançado. Ao finalizá-lo, tive a confirmação de que Josef Fares e sua equipe criaram, mais uma vez, uma obra-prima. Esse resultado acontece graças a um game design primoroso, de uma narrativa envolvente e, principalmente, da variedade constante, que os segmentos trazem para os jogadores.

HISTÓRIA/PREMISSA

A trama segue Zoe e Mio, duas jovens sonhadoras que buscam se tornar escritoras de sucesso. Elas decidem enviar seus roteiros de histórias para a corporação do empresário Rader, que promete revolucionar a escrita e a forma como as histórias são criadas. Após um breve tour pelos corredores, Rader explica às escritoras a sua grande obra: uma máquina em formato de domo, capaz de transformar qualquer roteiro em uma experiência simulada. No momento do experimento, Mio, em um ato de desespero ao ser enganada, tenta desistir e discute com Rader, causando um acidente em que ela cai dentro do domo de Zoe e causa um superaquecimento na máquina.

Dentro do domo, as duas entram em sintonia e compartilham juntas as histórias que estão em suas mentes. A partir disso, conhecemos a dualidade de personalidades entre as personagens, o que considerei uma das maiores genialidades de Split Fiction. Enquanto Zoe é alegre, extrovertida e com amor a fantasias, Mio é o completo oposto, buscando refúgio nos cenários explosivos da ficção científica.

A história geral de Split Fiction é simples, chegando a ser clichê em alguns momentos, o que faz sentido, já que as histórias das protagonistas são amadoras. No entanto, mesmo com essa simplicidade, a trama é concisa e possui início, meio e fim muito bem construídos, com diálogos que aprofundam tanto nosso conhecimento sobre os personagens quanto a relação entre elas, que vai se aproximando durante as experiências no jogo.

As cenas cinematográficas e exageradas de ação, os momentos de humor perfeitamente equilibrados e o drama que permite nos conectar com as personagens foram muito bem encaixados, tornando a trama ainda mais profunda.

GAMEPLAY

A gameplay de Split Fiction segue os moldes de mecânicas dos jogos anteriores da empresa, mas aqui eles capricharam e conseguiram melhorar ainda mais. Para eles não é um problema criar mecânicas detalhadas para apenas um segmento curto do jogo, pois estão sempre introduzindo novas formas de jogar. 

Durante a campanha, me peguei diversas vezes impressionado com a capacidade da equipe de desenvolvedores em criar mecânicas tão complexas e, ao mesmo tempo, divertidas. E à medida que o jogo ia chegando ao fim, eu ficava cada vez mais empolgado, pois novas adições chegavam.

Graças a isso, durante a jogatina fica aquela sensação de descobrimento que torna a experiência de jogar Split Fiction muito mais satisfatória. O jogo consegue alternar muito bem entre gêneros e brinca com isso o tempo todo. Em um momento o jogo é plataforma 3D, depois se torna os famosos jogos de nave do arcade. Noutro momento, jogos de tiro, e, de repente, um Pinball com uma luta de chefe. É uma experiência diversa, com vários gêneros diferentes em um único jogo. A movimentação dos personagens, a câmera, os mini-games e as sessões mais frequentes de plataforma estão aprimorados e conseguem divertir o jogador a todo momento. 

Durante as aventuras das protagonistas, é possível encontrar fissuras que levam a histórias secundárias (histórias descartadas por Mio e Zoe). Cada história secundária é mais divertida e criativa que a outra e aborda os mais diversos temas. Elas são tão boas que quando recebi a conquista ao completar todas, fiquei triste por não ter mais.

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As lutas de chefes também impressionam. Cada chefe tem maneiras muito únicas de serem derrotados, pois a maioria possui batalhas que exigem mais do que apenas bater e desviar. E quase sempre elas são extensas, mas em nenhum momento senti que se arrastaram demais. Toda a luta é perfeitamente pensada para que seja divertida e recompensada no final, mesmo exigindo certo esforço.

Algo que se tornou marca registrada do estúdio foram as inúmeras referências a outras mídias dentro da história, e em Split Fiction não foi diferente. Durante a jogatina encontrei referências a obras como Assassin’s Creed, Metal Gear Solid, Hogwarts, Dark Souls e muitos outros.

DIREÇÃO DE ARTE/GAME DESIGN

Um dos maiores acertos da direção de Josef Fares em Split Fiction é o game design, sempre guiando os jogadores de forma assertiva. O level design é tão bem pensado que você sempre sabe exatamente para onde ir e o que fazer de maneira intuitiva, sem a necessidade de marcadores exagerados na tela. Assim como o ritmo, que consegue manter o jogador concentrado por horas e horas sem cansar.

A direção de arte é outro grande acerto. Os cenários fantasiosos, os mais diversos personagens, vilões inusitados, a atmosfera e a iluminação combinam com todo o ambiente. Desde os cenários encantados das histórias da Zoe, que vão de florestas mágicas até reinos inteiros congelados às cidades densas e cheias de neon da Mio, contemplamos a combinação perfeita de tudo. Por vezes eu parava por alguns minutos apenas para contemplar os lindos cenários do jogo.

SOM

Split Fiction conta com uma trilha sonora que sempre consegue acompanhar o tom cinematográfico da história. Os sons do ambiente, os efeitos sonoros e as músicas conseguem empolgar e emocionar quando necessário, pois estão em sintonia com a direção de arte, tornando a experiência do jogo ainda mais satisfatória.

OTIMIZAÇÃO/BUGS

Durante minha gameplay, sofri apenas com três bugs que impediram o avanço na história, mas bastou apenas reiniciar do ponto de controle pelo menu que o problema foi rapidamente resolvido. No geral, a experiência foi boa no quesito otimização, pois em nenhum momento o jogo sofreu com quedas de frames ou problemas de performance.

CONCLUSÃO 

É impossível não indicar Split Fiction, assim como os outros jogos da Hazelight. Toda a experiência dessa obra é incrível, e é lindo ver uma empresa que coloca tanto carinho e empenho em seus jogos. É um jogo maravilhoso, que vai te fazer sorrir, chorar e sentir o máximo de adrenalina possível. Te garanto que quando terminar a história você vai passar bastante tempo digerindo tudo o que presenciou. E, assim como eu, vai ficar no aguardo da próxima obra prima da Hazelight.

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PATÔMETRO
Conclusão
Notas do Visitante1 Vote
9.8
PONTOS POSITIVOS
Excelente direção de arte 
Game design satisfatório e com um ritmo perfeito
História simples, mas bem escrita 
Trilha Sonora que se encaixa perfeitamente com as cenas
Cenários deslumbrantes que impressionam 
Personagens bem escritos e com profundidade
Excelente otimização e bugs irrelevantes durante a jogatina
Conteúdo secundário diverso e muito divertido
Lutas de chefes bem trabalhadas
10
NOTA FINAL

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