HISÓRIA/PREMISSA
Resident Evil Requiem gira em torno de um mistério de horror que traz de volta elementos clássicos da franquia, misturando investigação, sobrevivência e terror em um enredo original ambientado décadas após os eventos de Raccoon City.
Neste jogo, temos dois protagonistas com gameplays diferentes: a analista do FBI, Grace Ashcroft, que possui uma jogabilidade focada em terror, e o renomado agente Leon S. Kennedy, cuja gameplay é voltada para a ação.
A história de Grace começa com ela investigando uma série de mortes enigmáticas que ocorrem exatamente no hotel onde sua mãe, Alyssa Ashcroft (de Resident Evil Outbreak), foi brutalmente assassinada anos atrás. Já a história de Leon começa com ele investigando o desaparecimento de um policial naquele mesmo hotel, fazendo com que os caminhos dele e de Grace se cruzem.
Achei a história de Requiem bem modesta, mas ela definitivamente não é o grande destaque do jogo.
O início é forte e traz uma vibe de investigação policial que remete às raízes da franquia. A nova protagonista, Grace Ashcroft, ajuda muito nisso e se mostra um grande acerto, principalmente porque sua motivação ligada à mãe falecida dá bastante profundidade à personagem.
O problema surge na segunda metade, quando a narrativa enfraquece um pouco. O retorno a Raccoon City foi uma ideia interessante, mas acaba trazendo mais perguntas do que respostas, incluindo momentos que tentam reinterpretar elementos clássicos da franquia, algo que pode não agradar tanto os fãs de longa data.
Outro ponto que me incomodou foi o vilão Victor Gideon. Apesar de parecer promissor, na prática ele não se torna tão marcante quanto poderia.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade de Requiem é, sem dúvida, o ponto mais forte do jogo, pois ele consegue entregar uma experiência horripilante com Grace e também momentos frenéticos com Leon, equilibrando bem essas duas propostas.
Pessoalmente, preferi a parte do Leon, não só por ele ser um personagem maneiro, mas por permitir brincar bastante com sua gameplay: dar parry com o machado, atacar inimigos com as próprias armas deles, finalizar adversários com animações bacanas (no estilo dos God of War nórdicos), enfim, elementos que mantêm o combate sempre divertido e viciante.
Também curti a gameplay da Grace por ser bem assustadora em vários momentos, quase no mesmo nível de Alan Wake 2. Ser perseguido pela stalker conhecida como “A Garota” foi realmente tenebroso.
Minha única crítica em relação à gameplay da Grace é a falta de chefes. Ela ter apenas um chefe enquanto Leon enfrenta nove acaba sendo um pouco injusto. Dava para ela ter mais alguns confrontos marcantes.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA E ATMOSFERA
Outro ponto importante de Requiem é sua ambientação, que consegue dividir bem os momentos mais macabros do jogo (durante a gameplay da Grace) dos momentos tensos que parecem saídos de um filme apocalíptico de ação (durante a gameplay com Leon).
Em áreas como o porão do Centro de Cuidados, a atmosfera faz você ficar em constante estado de alerta, não só por estar em um ambiente extremamente escuro e assustador, mas também por saber que “A Garota” estará sempre te perseguindo e não vai desistir até você sair de lá. Aquela parte foi, com certeza, uma das minhas favoritas do jogo inteiro.





Porém, assim como a história, a ambientação também perde força na segunda metade. O jogo deixa de separar bem a atmosfera dos dois protagonistas, e a experiência entre eles acaba ficando muito parecida, em vez de manter a divisão clara entre terror e ação.
A parte em que você joga com Chloe dá uma elevada no terror, mas é curta demais e não pode ser comparada à intensidade da primeira metade do jogo.
MINHA OPINIÃO
Resident Evil Requiem é um jogo que entende muito bem o que torna a franquia especial, principalmente quando falamos de atmosfera e jogabilidade. A dualidade entre Grace e Leon funciona muito bem durante boa parte da campanha, entregando tanto momentos de terror sufocante quanto sequências de ação intensas e divertidas. A gameplay é, sem dúvida, o grande destaque da experiência, especialmente no lado mais frenético de Leon.
Por outro lado, a história acaba não atingindo todo o potencial que parecia prometer no início. A segunda metade perde força narrativa e impacto na ambientação, além de apresentar um vilão que poderia ter sido mais marcante. Ainda assim, esses problemas não apagam os muitos acertos do jogo.

Gosto de joguinhos eletrônicos! Fã da Remedy, Kojima e Fromsoftware I’m no hero. Never was, never will be.