HISTÓIRIA/PREMISSA
Quantos jogos você jogou que te provocaram sentimentos diversos? Quantos jogos te fizeram sentir em uma aventura dos filmes dos anos 80/90 ao mesmo tempo que te mergulhavam em uma espiral de emoções dramáticas? Quantos te fizeram perder o fôlego porque sabiam fazer o simples de uma forma espetacular?
Em todos esses anos jogando videogame poucos jogos me fizeram sentir isso tudo, e um deles é PLANET OF LANA 2!
Nessa review vou falar de tudo que você pode esperar e experimentar jogando o que eu passo a considerar o INDIE do ano. Mas, nem tudo é um mar de rosas e PLANET OF LANA 2 tem probleminhas que eu confesso, me incomodaram um pouco.
Planet of Lana 2: Children of the Leaf continua a jornada de Lana e sua fiel companheira Mui após os eventos do primeiro jogo. Depois de salvar o planeta Novo de uma invasão robótica, o mundo mudou e agora eles estão prestes a descobrir segredos ainda mais profundos sobre o passado do planeta e a própria origem da ameaça que enfrentaram.
Em Planet of Lana 2, o contexto daquele mundo e suas ameaças e as memórias de Lana e Mui surgem para dar o tom. Alguns meses após o primeiro jogo, Lana e Mui vivem no planeta NOVO que ainda tenta se recuperar.
É neste contexto que o passado começa a vir à tona quando Lana e Mui precisam correr contra o tempo para salvar uma das crianças do vilarejo. Ao partir em busca dos elementos para produzir a cura Lana e Mui vão enfrentar florestas desafiadoras, planetas gélidos, oceanos profundos e muitos desafios, e é aí que o jogo vira e o plot muda, trazendo a tona o passado daquele planeta, o passado de Mui e jogando Lana e Mui em uma trama muito maior.
GAMEPLAY
Apesar do escopo indie o jogo se esforçou para ser criativo sem soar repetitivo e o resultado é um jogo cheio de mecânicas e muitas formas diferentes de solucionar cada puzzle.
Existem duas mecânicas principais, na primeira Lana pode dar ordens a Mui para andar pelo cenário, ir até algum lugar e usar o poder de Mui.
Mui possui um poder de telecinese, ou até mesmo telepatia, podendo desligar a energia de drones e robôs e controlar outros animais específicos espalhados pelo jogo para resolver os puzzles.
Você pode nadar sendo um peixe ou voar sendo um zangão, e cada animal também tem um poder específico a ser usado para ajudar a resolver os puzzles.
A segunda mecânica diz respeito a Lana. Ao desligar drones e robôs com o poder de Mui você pode hackear eles com Lana e em seguida usar esses drones/robôs na solução de puzzles para poder seguir seu caminho.
Cada fase do jogo tem seus desafios e o mais incrível é que eles não são repetitivos, todos são diferentes, o nível de dificuldade vai aumentando e a jogabilidade fica diversificada.
O jogo também aposta na exploração e na diversidade de plataformas, e faz questão de deixar o jogo mais aventuresco em alguns momentos, ao mesmo tempo que ele pode soar mais contemplativo em outros momentos.
Mas como eu disse anteriormente, nem tudo são flores e existem alguns pontos que eu gostaria de destacar e que me incomodaram um pouco.
Planet of Lana 2 aposta na interpretação visual de sua história. Ele é feito e concebido para que o jogador interprete a obra visual que ele oferece e monte o quebra cabeça da história por conta própria e isso é bom e ruim. É bom porque o estúdio realmente está comprometido em entregar uma obra que vai além de sentar e jogar um jogo, é necessário atenção aos detalhes.
Mas é ruim porque as cutscenes e os diálogos in game que COMPLEMENTAM A HISTÓRIA e em vários momentos, NÃO SÃO LEGENDADOS e a LÍNGUA DO POVO é uma língua criada pelo estúdio, não é uma língua real.
A ideia é genial mas o problema é que a maioria dos diálogos são diálogos com TOM DRAMÁTICO que estão literalmente revelando plots e contando segredos, mas você só poderá imaginar o que pode ter sido dito e seguir em frente.
Você vai entender os pontos chaves da história porque o estúdio amarrou os pontos principais em plots visuais, mas o contexto e as nuances da história infelizmente nós só poderemos IMAGINAR.
Para mim que trabalho com roteiro além dos video games, achei esse estilo muito ousado, mas ao mesmo tempo, vejo como algo que pode afastar as pessoas, até porque em alguns momentos você vai precisar entender o significado de algumas coisas para poder resolver puzzles, e isso vai te dar dor de cabeça e vai fazer perder muito tempo.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
A direção de arte é de cair o queixo e é o maior trunfo de Planet of Lana 2!
A começar pelo estilo visual que se assemelha à arte pintada à mão. É como se fosse um quadro em aquarela digital em movimento com cores suaves, pinceladas vivas e muita atenção à luz natural. O jogo também aposta em personagens e elementos em primeiro plano se movendo em 2D, enquanto os cenários têm profundidade 3D sutil, criando a sensação de um mundo vivo.
A construção dos cenários é extremamente detalhada e cinematográfica. É como se você estivesse jogando um filme dos primórdios clássicos da Pixar.


Em todos os cenários o estúdio deixou sua marca, a sensação de vastidão em paisagens distantes ou até mesmo a aglomeração de pessoas em cidades que se assemelham a uma ópera espacial no melhor estilo Star Wars.
É impossível jogar sem prestar atenção aos detalhes e tirar um milhão de fotos.
Outro ponto de destaque, que para mim é o que juntamente com a direção de arte eleva esse jogo a um patamar cinematográfico, é a trilha sonora.
A trilha sonora de Planet of Lana 2 é literalmente uma ópera espacial que juntamente com os visuais cria uma conexão profunda do jogador com o jogo.
Acho pouco provável que Planet of Lana 2 não apareça em algumas categorias no TGA 26.
Na parte técnica o tamanho do game me incomodou um pouco pelo fato de ser um jogo indie e o foco não estar nos gráficos e no uso excessivo de ray tracing, estamos falando de um jogo indie de 10 horas de duração, que não possui lutas nem combate, que não vai exigir muitos elementos em tela e tem seus 40 GB de armazenamento.
CONCLUSÃO
Apesar dos pontos que me incomodaram, reconheço que eles são apenas um grão de areia em meio a um deserto de coisas boas. Planet of Lana 2 entrega uma experiência cativante e emocionante, com plots de tirar o fôlego, diversidade de gameplay e muitos desafios.

Fã de Star Wars, marido e pai. Roteirista e Content manager do Patobah
