Chave recebida via Terminals.Io

Do gênero Metroidvania, com aquele tempero clássico de aventura e exploração, Morkull é o mais recente game a dar as caras nas plataformas. Disponível para PS5, Switch, XBOX Series e Steam, o jogo oferece boas doses de diversão e humor – e ainda se dá ao luxo de quebrar a quarta parede. E o melhor: apesar de alguns probleminhas pontuais, é super amigável para quem tá dando os primeiros passos nesse estilo.

Metroidvania, aventura e exploração na medida certa

PREMISSA

Em Morkull, você assume o controle do deus da morte e da escuridão, que quebra a quarta parede e encara você, jogador, com piadas e tiradas. Sua missão? Ajudar personagem a escapar de uma prisão arquitetada pelos próprios criadores do jogo – sim, ele sabe que está em um videogame, e essa consciência dá charme e carisma ao deus. Apesar disso, as interações podem ser repetitivas e não tão bem desenvolvidas, sempre deixando a sensação de que poderia ser melhor.

Agora, imagine se essa mecânica fosse levada ao extremo. Além das interações já existentes, Morkhull poderia questionar suas escolhas em momentos-chave, ou até mesmo desafiar suas decisões de forma inesperada, criando um vínculo ainda mais profundo com o jogador. E que tal se as escolhas do jogador mudassem o rumo da história ou a forma como o deus da morte e da destruição interage com o mundo? Isso adicionaria camadas de imprevisibilidade e agência à experiência.

Além disso, a introdução de aliados ou inimigos carismáticos – o que não são -, enriqueceria a trama, oferecendo diálogos e interações que explorassem toda a sagacidade de Morkhull e o potencial da narrativa e da mecânica da quebra da quarta parede. E para evitar qualquer sensação de repetição, novos desafios ou mecânicas poderiam ser introduzidos ao longo da jornada, mantendo o frescor e as sensações de evolução, variedade e de novidade.

Por fim, áreas secretas ou desafios opcionais poderiam recompensar a exploração com detalhes do lore do universo de Morkull, dando maior profundidade ao enredo. Apesar de alguns probleminhas aqui e ali, essas melhorias poderiam transformar o jogo em uma aventura memorável, repleta de momentos marcantes e um vilão que impossível não amar… ou ao menos respeitar.

GAMEPLAY

O jogo oferece uma seleção bem modesta de habilidades e combos para explorar – o que poderia ser mais diversificado. Mas o verdadeiro teste de paciência vem com os bugs de colisão, erros de tradução e a lentidão na resposta aos comandos, que conseguem, infelizmente, dar uma bela quebrada na imersão.
Já o level design, poderia ser mais intuitivo. Falta clareza sobre os objetivos e os caminhos a seguir, além de que as melhorias necessárias para desbloquear novas áreas são, no mínimo, misteriosas. Isso obriga o jogador a encarar um bom grinding, tentando upar o personagem meio no escuro – e vamos ser sinceros, grindar sem saber exatamente para quê é desanimador.

A dificuldade também é instável. Em um momento, você enfrenta inimigos bastante desafiadores. No outro, esses mesmos inimigos viram piada de tão fáceis, mesmo sem você ter melhorado o personagem. Essa inconsistência acaba tirando um pouco da graça e do senso de progressão do jogo.

Para melhorar a experiência, seria fantástico resolver esses problemas com patches que ajustem bugs e melhorem os comandos. Além disso, uma variedade maior de habilidades e combos, junto com um design mais claro e intuitivo, traria vida nova ao jogo. Quem sabe até uma curva de dificuldade mais equilibrada, para que cada batalha seja um desafio justo e empolgante? Com esses ajustes, o potencial do jogo seria aumentado exponencialmente, garantindo horas de diversão sem frustrações.

DIREÇÃO DE ARTE GERAL

Com um visual feito à mão e uma linguagem cartunesca, há um grande acerto na direção artística – sem dúvidas, o ponto mais forte do jogo. A combinação de cores vibrantes com um ambiente sombrio, junto às expressões exageradas do protagonista, trazem uma identidade ao título. É o tipo de estilo que chama bastante a atenção.



As animações de movimentos, lutas e bloqueios são bonitas e bem trabalhadas, embora sejam poucas. A influência dos quadrinhos e dos desenhos animados é notória e criam um equilíbrio perfeito entre a obscuridade da temática e o humor leve, resultando numa experiência visual muito prazerosa.
Se a equipe ampliasse ainda o repertório de animações e explorasse novos detalhes, transformaria este aspecto em um espetáculo memorável.

A trilha sonora de dá um belo tom atmosférico, misturando elementos épicos e sombrios que capturam a sensação de estar em um submundo governado por um deus da morte e destruição. Durante as batalhas, a música acelera e ganha intensidade, injetando uma boa dose de adrenalina nos combates. E, para quebrar o clima pesado, algumas faixas com tons cômicos trazem a pitada de irreverência do personagem, arrancando sorrisos dos jogadores e reforçando o seu charme único.

Apesar de toda essa criatividade, a pouca variedade nas músicas acaba pesando, gerando certa repetição que pode cansar depois de um tempo. Ainda assim, os efeitos sonoros são bem executados, complementando o ambiente e aumentando a imersão.

CONCLUSÃO

No geral, Morkull Ragast’s Rage é um jogo que não chega a impressionar ou se destacar, mas tem o suficiente para divertir – graças ao carisma do protagonista. A irreverência de Morkull, combinada com a constante quebra da quarta parede, cria uma conexão legal com a história, mesmo com os probleminhas técnicos.

Para os veteranos de Metroidvania, o jogo pode ser visto como mediano, até mesmo frustrante, devido aos seus tropeços. No entanto, para quem está começando no gênero, pode ser uma boa porta de entrada. Apesar das inconsistências na dificuldade e do level design questionável, o título se apresenta como amigável para os novatos.

Quanto ao custo, pelo preço cheio, talvez não valha a pena. Mas, sob promoção, é um título a ser considerado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *