Hunt The Night é um jogo desenvolvido pela Moonlight Games e publicado pela DANGEN Entertainment, sendo um RPG de ação com gráficos em 16-bits e ambientação de horror gótico. O jogo é fruto de uma campanha do Kickstarter de abril de 2019 com a promessa do lançamento em 2020, mas só teve seu lançamento para PCs em 2023 e para os consoles em 2026.
HISTÓRIA/PREMISSA
A história de Hunt The Night é contada pela visão de Vesper, membra dos Espreitadores, que é encarregada com a missão de conter o avanço da Noite e proteger Medhram dos perigos que a escuridão traz. No jogo, a Noite é retratada como uma maldição para a humanidade, trazendo criaturas sedentas por sangue e violência.
O ciclo entre Dia e Noite era um ciclo de aniquilação para os humanos, até que os Espreitadores surgem com o desenvolvimento de técnicas para manipular a escuridão para lutar contra a Noite. Entretanto, isso não era suficiente e, com a chegada inevitável da Noite, o conhecimento era perdido e a chance de sobrevivência da humanidade anulada. Malakian, retratado como o Primeiro, desenvolveu uma forma de transmitir conhecimento através de penas de corvos, de forma a trazer esperança e marcar a Primeira Era.
Eventualmente, a humanidade encontra o Selo da Noite, um artefato que é capaz de impedir o ciclo de avançar e criar um dia eterno, protegendo a humanidade por centenas de gerações. Para tal, é necessário um sacrifício de sangue, mas os Espreitadores estavam dispostos a isso. Entretanto, um traidor é responsável por fragmentar o artefato e devolver Medhram à Noite. Vesper, que é a filha do traidor, Eric Ossopreto, deve recuperar os fragmentos e enfrentar a Noite.
A narrativa do jogo é contada de uma forma gradual e progressiva, revelando pequenas partes do contexto em que o jogo se insere. Seja através das penas de corvos encontradas pelo mundo ou pelos momentos de diálogos com NPCs, o storytelling de Hunt The Night acerta bastante, trazendo uma motivação clara para Vesper e construindo o mundo de Medhram num ritmo muito bom.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade de Hunt The Night é um ponto complexo de se analisar. Inicialmente, o jogo te vicia com o combate fácil de aprender e difícil de masterizar, sendo um equilíbrio constante entre curta e longa distância. Existem diferentes armas de curta distância, que podem ser encontradas por Medhram, desde espadas grandes até lanças, cada uma com suas características de dano, habilidades extras ou velocidade de ataque. Além disso, existem três armas de longa distância, com seu gasto de munição, danos e extras únicos também.
A parte que equilibra os dois tipos de armas é a munição das armas de longa distância. Para carregar uma munição do máximo de seis, você precisa acertar três golpes com as armas de curta distância. Esse detalhe aumenta a complexidade do combate e da estratégia, forçando à uma racionalização do uso das munições e à aproximação do jogador ao inimigo. Além dessas armas, ainda existem as granadas de Plagum, um tipo de veneno que afeta as criaturas da Noite, e os poderes sombrios, habilidades únicas que Vesper pode usar após certo tempo de recarregamento.



Juntando todos os elementos, temos um combate complexo e que exige uma estratégia e gestão de recursos, o que é um ponto alto do jogo. Entretanto, nem tudo são flores.
As flores são os itens de cura em Hunt The Night e são itens bem escassos. Inicialmente, você consegue carregar 3 flores e cada uma cura aproximadamente 30% da sua vida máxima. Para obter mais flores, é preciso interagir com uma estátua de corvo, que atua como salvamento do jogo também. É possível aumentar a capacidade de flores para até 5 através de upgrades comprados com Noctílio, um tipo de recurso obtido ao eliminar as criaturas, e é possível melhorar a porcentagem de vida curada obtendo sementes de flores mais raras. Entretanto, os upgrades com Noctílio são bem caros e as sementes de flores estão localizadas em regiões bem avançadas do jogo.
O problema principal aqui é que interagir com as estátuas de corvo é a única forma de obter mais flores durante o jogo. Enquanto explora Medhram, cada região do mapa só possui uma estátua de corvo e, ao interagir, todos os inimigos renascem. Assim, preparar-se para uma luta nova deixa de ser um desafio de combate e torna-se um desafio de esquiva, tentando escapar de qualquer dano de inimigos que você já enfrentou para ter uma chance melhor de enfrentar os novos inimigos.
Outra coisa que me incomodou foi o fato de todos os inimigos renascerem se você entrar em uma casa ou caverna. Muitas vezes, entrei em uma caverna ou estrutura, seja por estar procurando um item importante ou por engano, e ao sair, todos os inimigos que eu já enfrentei segundos atrás estavam de pé novamente.
Além disso, o jogo não tem nenhum tipo de mapa, então as direções e localizações importantes devem ser guardadas na mente enquanto joga. É recompensador explorar, obtendo novas armas, armaduras, poderes ou itens para melhorar a sua build, mas o registro dos locais explorados é obrigatoriamente mental. Pelo menos, os mapas das regiões são relativamente pequenos, então não leva muito tempo para explorar.
Existe um modo de New Game +, que eu experimentei para ver a respeito do combate é da cura. A escassez das flores é menos intensa, uma vez que as flores melhoradas curam mais da sua vida e, portanto, você precisa de menos flores para se curar totalmente. Entretanto, o ressurgimento dos inimigos, que estão mais fortes agora, ainda é muito constante e, várias vezes, me vi evitando o combate para poupar as flores de cura.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
A direção de arte de Hunt The Night é, sem exageros, magnífica. O estilo 16-bits com fantasia sombria e inspirações em jogos como Bloodborne e Castlevania ficou lindo demais.
Os cenários do jogo são extremamente detalhados e possuem uma atmosfera muito bem construída, usando tanto os sprites quanto a trilha sonora para fabricar uma ambientação sem igual.
As animações do jogo são muito bem feitas, desde o cabelo da Vesper mexendo enquanto está parada até os olhos da corrupção do mundo mexendo. Cada ataque, habilidade, tudo feito com carinho e atenção incríveis.






Os chefes são únicos, tanto em design quanto em combate. Cada um possui uma identidade retratada, tanto no cenário em que é enfrentado quanto em si próprio, e isso reflete no seu estilo de combate. Todas as batalhas trazem uma sensação de heroísmo e são extremamente lindas, deixando claro que são o foco principal do jogo.
De fato, esse é o elemento que eu mais gostei do jogo. Hunt The Night apostou muito na arte e na sua identidade, alcançando um resultado excepcional.
POLÊMICAS
Infelizmente para os fãs e apoiadores do Kickstarter, Hunt The Night se envolveu em algumas polêmicas.
Abordando aquela que é a maior de todas, temos que falar na data de lançamento. O jogo começou sua campanha no Kickstarter em 2019 e prometia um lançamento no último trimestre de 2020, mas só lançou em 2023 para os PCs e não foi dada uma previsão para o lançamento da versão para os consoles, que só chegou em 2026. Devido à falta de comunicação, muitos apoiadores se sentiram frustrados e até mesmo enganados pela desenvolvedora.
Além disso, a campanha do Kickstarter prometeu algumas mecânicas que não chegaram ao jogo até hoje, como uma habilidade de proteção para o jogador, e colecionáveis que os apoiadores reportam não terem recebido até hoje, como uma cópia em mídia física.
Essas polêmicas acabam trazendo um marketing negativo para o jogo e pode influenciar a decisão de compra de um usuário.

Mestrando em Química Analítica e gamer desde sempre. Maior defensor da CD Projekt Red
