Boa Leitura!

Review de Tales of Berseria Remastered | PC

O Patobah agradece a BANDAI NAMCO pela licença de imprensa

Terminei Tales of Berseria com aquela sensação estranha de vazio que só alguns jogos conseguem fazer. Foi uma jornada que me pegou de surpresa em vários momentos.

Como não joguei a versão original lá em 2016, minha experiência foi totalmente baseada neste remaster. Entrei sem nostalgia e sem comparações diretas, apenas com curiosidade para entender por que tanta gente considera esse um dos capítulos mais diferentes da franquia. E depois de concluir a jornada, dá para dizer que ele realmente tem algo especial.

Desde o início, o jogo deixa claro que não quer contar uma história confortável. A abertura é pesada, impactante, e rapidamente estabelece que essa não é uma aventura tradicional sobre heróis salvando o mundo. Aqui, o motor da narrativa é a dor. E acima de tudo, a vingança.

História e Atmosfera

O que mais me marcou foi a forma como a narrativa se constrói sem pressa, deixando as consequências respirarem. Tudo começa de maneira íntima, quase simples, antes de desabar em um acontecimento que muda completamente o rumo da protagonista. A partir dali, a história deixa de ser sobre justiça ou heroísmo e passa a ser sobre obsessão.

Velvet Crowe não quer salvar o mundo. Ela quer destruir aquilo que tirou tudo dela. E essa motivação, por mais sombria que seja, é coerente do começo ao fim. O interessante é que o jogo não tenta suavizar suas escolhas. Em vários momentos, ela cruza limites que normalmente não veríamos em protagonistas da série, e isso torna a jornada muito mais intensa.

Ao mesmo tempo, o roteiro trabalha bem o outro lado do conflito. A figura que se coloca como antagonista não é simplesmente má por ser má. Existe uma ideologia ali, uma visão de mundo que entra em choque direto com a dor e a revolta da Velvet. Essa dualidade entre razão e emoção sustenta boa parte da tensão narrativa.

Outro ponto forte é como o jogo aborda temas como livre arbítrio, sacrifício e manipulação. Conforme a trama avança, fica claro que o mundo ao redor está sendo moldado por decisões tomadas em nome de um “bem maior”. E é justamente esse conceito que começa a ser questionado. Até que ponto vale a pena abrir mão da individualidade para alcançar estabilidade?

A reta final amarra bem essas discussões. Não é apenas um confronto físico, mas ideológico e emocional. Quando terminei o jogo, deu a sensação de que tudo caminhou para aquele desfecho específico, sem atalhos ou reviravoltas gratuitas. Pode não agradar todo mundo, mas é consistente com tudo que foi construído.

A atmosfera acompanha essa narrativa mais pesada. Mesmo nos momentos de humor trazidos pelo grupo, existe sempre uma sombra pairando sobre a jornada. Isso dá unidade ao tom do jogo e reforça a sensação de que estamos acompanhando algo maior do que uma simples aventura.

No fim, o que fica é a impressão de que Tales of Berseria é menos sobre vingança em si e mais sobre as cicatrizes que ela deixa tanto em quem busca quanto em quem está ao redor.

Personagens

Se a narrativa funciona, é porque o elenco sustenta tudo isso com muita personalidade.

Rokurou por exemplo traz aquela leveza que equilibra os momentos mais pesados, sempre guiado por um código de honra muito próprio, quase simples demais para o mundo caótico ao redor. Magilou vive entre o humor e o mistério, brincando o tempo todo, mas deixando claro que existe muito mais por trás das piadas. Eizen mantém uma presença firme e reflexiva, alguém que observa antes de agir e carrega suas crenças com convicção sendo a pessoa mais sábia dentro do grupo. Já Laphicet é, talvez, quem mais se transforma ao longo da jornada, crescendo emocionalmente e assumindo um papel cada vez mais importante dentro do grupo.

O mais interessante é que eles não parecem reunidos apenas por conveniência. Há provocações, discordâncias, momentos de harmonia e até pequenas tensões que tornam tudo mais humano. Os skits ajudam muito nisso, trazendo conversas naturais que aprofundam os laços e dão mais vida às relações.

Quando os créditos começaram a subir, o que mais pesou foi justamente me despedir deles e isso, para mim, é sinal claro de que os personagens realmente funcionam.

Gameplay

O sistema de combate em tempo real é um dos pontos mais divertidos nas primeiras horas. Criar sequências de Artes, testar combinações e adaptar estratégias deixa as batalhas dinâmicas e cheias de energia.

Com o tempo, porém, os confrontos começam a seguir um padrão. O sistema continua funcionando bem no remaster, mas já não surpreende tanto quanto no início. Em alguns momentos, a câmera pode atrapalhar, e a falta de um lock on mais preciso gera incômodos.

A progressão também poderia ser mais empolgante. Muitos equipamentos parecem apenas variações numéricas uns dos outros, o que reduz aquela sensação clara de evolução significativa.

São detalhes que não arruínam a experiência, mas impedem que ela alcance um patamar ainda maior.

Melhorias do Remaster

Como remaster, a proposta aqui foi preservar a experiência original e torná la mais acessível e confortável.

Todo o DLC da versão original já está incluso, o que é um ótimo bônus para quem está jogando agora. Além disso, temos acesso ao Grade Shop desde o início. Para quem não conhece, o Grade Shop é uma mecânica voltada para o New Game Plus, oferecendo bônus, como multiplicadores de experiência, aumento de dano e outras facilidades que permitem personalizar o nível de desafio e acelerar o progresso em um novo ciclo.

Outra melhoria importante é a possibilidade de desligar os confrontos com inimigos no mapa, algo que me ajudou bastante na exploração, especialmente para quem quer focar mais na história. Também há ícones mais claros indicando o próximo objetivo, deixando a progressão mais direta e menos confusa.

No PC, o desempenho foi estável e fluido do começo ao fim. Visualmente, não há uma transformação radical, mas a experiência é sólida e consistente.

Visual e Som

A direção de arte mantém um estilo que, mesmo não sendo revolucionário hoje, continua funcionando bem. Os cenários ajudam a reforçar o clima mais sério da narrativa.

A trilha sonora acompanha esse tom com competência, aparecendo com mais força nos momentos decisivos. Optei pela dublagem em japonês, que entrega intensidade e emoção nas cenas mais importantes.

PATÔMETRO
Conclusão
Depois de zerar Tales of Berseria, a sensação que fica é de que a jornada vale a pena. Não é um jogo perfeito. O combate poderia manter o mesmo impacto até o final, e a progressão poderia ser mais recompensadora. Mas a história funciona. Os personagens funcionam. E a experiência, como um todo deixa a sua marca. No fim, não é apenas mais um JRPG sobre salvar o mundo mas uma história sobre dor, escolhas e consequências.
Notas do Visitante0 Votes
0
8
NOTA FINAL

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Facebook
X
WhatsApp
Telegram
Threads
Email

Categorias