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Review de Resident Evil Requiem | PS5

O Patobah agradece a Capcom Brasil pela licença

Resident Evil Requiem era um dos jogos que eu estava mais ansioso para jogar. Acompanhei cada evento da Capcom, cada trailer, e o hype só aumentava. Afinal, a sequência da franquia estava sendo aguardada desde Resident Evil Village (2021).

Somado a isso, o momento da Capcom é muito bom, com lançamentos consistentes e agradando ao público. Inclusive, a empresa acertou demais em Resident Evil 4 Remake recentemente. Além disso, o jogo marca a volta de Leon S. Kennedy, um dos personagens mais importantes da franquia.

Dentro desse cenário, a expectativa por Resident Evil Requiem era muito alta, e a grande dúvida era: será que a Capcom seria capaz de entregar um novo Resident Evil à altura do que a franquia merece?

A resposta é sim.

A Capcom não só atendeu às expectativas, como as superou.

Início de uma nova fase

Resident Evil Requiem foi lançado no dia 27 de fevereiro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC. O jogo dá continuidade à franquia, cujo último título havia sido Resident Evil Village, lançado em 2021.

Neste novo capítulo, a Capcom traz Raccoon City e Leon S. Kennedy de volta, além de apresentar uma nova e carismática protagonista: Grace.

Quase 30 anos depois da destruição de Raccoon City, a analista do FBI Grace Ashcroft é enviada às redondezas da cidade para investigar uma série de mortes estranhas que aconteceram por lá.

O local faz com que ela reviva traumas do passado — e é justamente ali que Grace descobre estar muito mais envolvida na situação do que imaginava. Com a ajuda de Leon, os dois precisarão enfrentar uma nova ameaça: Elpis.

Grace: o clássico e o moderno

Ao longo desses 30 anos de franquia, a Capcom introduziu diversas mecânicas e perspectivas dentro da série em busca de inovação. Isso acabou resultando em um público bastante heterogêneo.

Podemos dividir a comunidade de Resident Evil em dois grandes grupos:

  • os fãs da gameplay clássica (Resident Evil 1, 2 e 3, por exemplo);
  • e os fãs da gameplay moderna (principalmente Resident Evil 4).

O desafio há alguns anos é justamente esse: como agradar gregos e troianos?

Ou seja, como abraçar o novo sem se distanciar daquilo que fez Resident Evil chegar até aqui?

A solução encontrada pela Capcom foi simples e muito inteligente: parar de tentar encontrar um meio-termo e colocar as duas propostas dentro de um mesmo jogo.

Sendo assim, a parte com Grace representa claramente o Resident Evil clássico. O jogo traz de volta o terror, corredores claustrofóbicos, escassez de munição, inimigos perseguidores e uma atmosfera constante de tensão.

É um verdadeiro survival horror, sem medo de assumir suas raízes.

Ao mesmo tempo, a Capcom adiciona novos elementos. Grace é uma personagem assustada, traumatizada, frágil e extremamente humana. Isso torna a gameplay com ela muito mais aterrorizante e tensa.

Seja pela ambientação espetacular dos cenários ou pela trilha sonora fenomenal, cada momento jogando com Grace transmite vulnerabilidade e medo.

Grace é uma nova personagem de Resident Evil que chegou para ficar. A Capcom acertou muito na escolha e a franquia agora tem, sim, um novo rosto para os próximos anos.

Acompanhar todo o desenvolvimento de Grace, contrastando com a experiência de Leon, foi simplesmente espetacular.

Leon S. Kennedy: a lenda em ação

Se com Grace a Capcom olha para o futuro da franquia, com Leon ela olha para o passado e traz consigo tudo aquilo que construiu Resident Evil ao longo dos anos.

Nas partes com Leon, o jogo traz inúmeros fan services, referências e até flashbacks capazes de emocionar quem acompanha a série há muito tempo.

É aquela nostalgia gostosa que todo fã de franquia adora sentir.

Afinal, Leon está de volta a Raccoon City — onde tudo começou — mas agora muito mais experiente e preparado para enfrentar os desafios que virão.

Resident Evil Requiem cria uma dualidade muito interessante:

De um lado temos Grace, uma personagem nova, mas com uma gameplay muito mais próxima dos clássicos — focada no survival horror.

Do outro temos Leon, um personagem já conhecido dos fãs, mas com uma gameplay moderna, focada em ação pura.

A gameplay com Leon se assemelha bastante ao que vimos em Resident Evil 4 Remake, porém com ainda mais possibilidades de armas e com a adição de um machado tático, extremamente útil principalmente nos parries.

Se com Grace ficamos cautelosos, tensos e economizando cada recurso, com Leon a sensação é completamente diferente.

Com Leon, é praticamente um passeio no parque.

A gameplay é frenética: muita ação, muita munição, muitas ervas e combates intensos. Com ele, você realmente se sente como um super soldado que ninguém consegue parar.

Padrão Capcom

Em Resident Evil Requiem, a Capcom entrega aquilo que eu costumo chamar de “Padrão Capcom”.

Gráficos de última geração, ótima otimização, design artístico lindíssimo e uma ambientação extremamente bem construída, capaz de transmitir exatamente as sensações que o jogo quer provocar no jogador.

Além disso, o design de som e a trilha sonora são simplesmente de tirar o fôlego.

Principalmente o design de som — é impressionante como os efeitos de tiro e os impactos nos inimigos são satisfatórios.

E, sinceramente, elogiar isso acaba sendo até chover no molhado.

Mesmo nos jogos não tão bons, a Capcom costuma entregar muito bem na parte técnica e gráfica. Por isso eu chamo de padrão Capcom: é simplesmente o nível que já se espera da empresa — ainda mais em um Resident Evil.

Todos os jogos em um só

Se você estiver se perguntando sobre o escopo do jogo — se ele é linear, se tem exploração, puzzles e outras características — posso dizer o seguinte, sem entrar em spoilers:

Resident Evil Requiem reúne praticamente tudo o que a Capcom fez de melhor nesses 30 anos de franquia.

O jogo possui ambientes fechados clássicos, como hospitais e mansões, mas também apresenta áreas maiores, quase como regiões semiabertas, cheias de locais para explorar.

A exploração é extremamente recompensadora.

Além disso, o jogo traz diversos puzzles no melhor estilo Resident Evil, além de um sistema de backtracking inteligente, intuitivo e extremamente satisfatório.

A sensação é de estar jogando vários Resident Evils dentro de um único jogo — sem que isso transforme a experiência em uma bagunça.

Ritmo acelerado

Uma das minhas maiores preocupações antes de jogar era o ritmo do jogo.

Em títulos que possuem mais de um personagem jogável, muitas vezes acontece de uma das campanhas ser mais fraca ou até cansativa.

Felizmente, esse não é o caso aqui.

Resident Evil Requiem acerta em cheio no ritmo da campanha.

O jogo é acelerado, intenso, e quando você começa a sentir que está prestes a se cansar de uma gameplay, o jogo muda para o outro personagem.

O fato de existirem duas gameplays bem diferentes ajuda muito a evitar qualquer sensação de repetição.

Pontos positivos

  • História interessante;
  • Gameplay fantástica;
  • Parte técnica, visual e sonora irretocável,

Pontos negativos

  • O jogo tem um fim.
PATÔMETRO
Conclusão
Resident Evil Requiem é Resident Evil em sua essência. O jogo entrega tudo aquilo que um Resident Evil precisa ter e ainda faz um verdadeiro afago nos milhares de fãs que acompanham a franquia há décadas. Além disso, o título possivelmente abre uma nova fase para a série e aponta um caminho bastante promissor para o futuro. O game entrega survival horror, ação, uma história interessante, uma gameplay deliciosa e uma ambientação impecável. Eu não sei exatamente qual caminho a Capcom vai seguir a partir daqui — se vai amarrar algumas pontas soltas da história ou confirmar alguns possíveis retcons presentes no jogo. Mas uma coisa eu tenho certeza: A expectativa para o próximo Resident Evil já está lá em cima. Se você é fã da franquia — ou mesmo se nunca jogou Resident Evil, mas gosta de jogos de terror e ação — esse jogo é para você.
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