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Boa Leitura!

Review de Netherworld Covenant | PC

HISTÓRIA/PREMISSA

A primeira sensação foi de entrar num ritual estranho, pesado e cheio de camadas por desvendar. O jogo coloca você no papel de um sobrevivente de um cataclismo que empunha a Lanterna do Nether, uma relíquia proibida que conecta vivos e mortos, permitindo firmar pactos com almas caídas e explorar um submundo corroído por forças sombrias.

A narrativa não é do tipo que se senta com você em frente à lareira para contar sua vida, na verdade ela é mais ambiental e fragmentada, revelada aos poucos por meio de itens, encontros e cinemáticas curtas ao longo dos diferentes capítulos.

A campanha principal, concluída na versão 1.0 com capítulos adicionais e um desfecho para quem acompanhou desde o Acesso Antecipado, dá mais contexto à jornada, mas não é um jogo que escora na história, nas verdade ela realmente é só um “pano de fundo” para justificar a existência da gameplay, que é a verdadeira alma do game.

Essa abordagem narrativa funciona bem para quem joga pelo mundo e pelo desafio, mas pode desapontar quem busca personagens marcantes ou tramas profundas.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

O que define Netherworld Covenant acima de tudo é sua mistura de roguelike com elementos inspirados em soulslikes, num pacote que exige precisão, estratégia e paciência.

O combate é tático, você pode bloquear, esquivar e usar o Ethereal Dash no momento certo faz toda a diferença, e é justamente isso que o jogo exige! Cada inimigo tem padrões de ataque específicos, e aprender esses padrões é mais uma necessidade do que uma opção.

O sistema de Companheiros de Alma introduz uma camada extra de estratégia, você pode invocar liberar outras formas de jogar, como Espadachim, Arqueiro, Guardião e Ladino, cada um com habilidades próprias que mudam radicalmente a forma de encarar certas áreas ou chefes.

O loop principal segue a lógica dos roguelikes, você vai passar por salas geradas proceduralmente, combates desafiadores, coleta de itens, uso de relíquias e a constante sensação de risco. Modos extras como Boss Rush e Chaos Mode adicionam variedade e ajudam a manter o jogo interessante depois de terminada a campanha principal.

Apesar disso, achei que a sorte ainda pesa um pouco demais em certas decisões, especialmente no início de cada run, algo que pode frustrar quem espera um sistema mais guiado pela habilidade pura.

O jogo também permite customizar os níveis de dificuldade com o Corruption Mode, que é bem-vindo para ajustar o desafio ao seu estilo.

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

O jogo aposta num visual isométrico de fantasia sombria que entrega exatamente aquilo que promete, muitos ambientes góticos, luzes contrastantes, efeitos de partículas e inimigos macabros.

Tecnicamente, o jogo está bem estável. A performance geral funciona sem grandes tropeços e a localização em português brasileiro é um bônus importante, especialmente para jogos com muita leitura de habilidades e descrições de itens. Não importa o ano ou o jogo, localização é sempre uma importante ferramenta de localização.

PRÓS E CONTRAS

Prós
> Combate tático que recompensa paciência e precisão, não só apertar botões;
> Quantidade de personagens que podemos jogar;
> Alta rejogabilidade;
> O jogo apresenta realmente um status de completo, além de ótima performasse técnica;
> Localização em PT-BR.

Contras
> História é interessante, porém, para o jogo, completamente esquecível;
> A sorte é um elemento que afeta bastante nas runs;
> Alguns ambientes e inimigos dão sensação de repetição;

PATÔMETRO
Conclusão
Fiquei com a impressão de um título que cumpre bem sua proposta de ser um roguelike de ação com saborzinho de soulslike, apresentando uma atmosfera sombria e jogabilidade desafiadora. Não é o jogo mais inovador do gênero, mas faz um excelente trabalho combinando mecânicas de precisão com progressão roguelike e builds variadas. Quem curte jogos que exigem paciência, experimentação e repetição recompensada vai encontrar aqui uma experiência densa e honesta. Por outro lado, jogadores que buscam narrativa forte ou mecânicas mais lineares podem achar a experiência “mais do mesmo” ou até frustrante em runs. Ideal para quem gosta de ter os erros punidos, fazer cada vitória valer o suor gasto e os dedos com calos.
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NOTA FINAL

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