Simplicidade até demais ou complexidade despercebida?
O Patobah agradece a Dotemu pela licença

No dia 01 de dezembro de 2025, a Tribute Games, junto da Dotemu, lança um projeto que, na minha visão, tinha um dos maiores potenciais nesse final de ano: Marvel Cosmic Invasion, um game que traz grandes referências aos clássicos de fliperama, tanto em sua “roupagem” quanto na gameplay, para a geração atual de consoles.
Após um ataque sem precedentes ser lançado por toda a galáxia, toda a vida está por um fio. Nova, Homem-Aranha, Wolverine, Phyla-Vell, Capitão América e muitos outros heróis, tanto terrestres quanto cósmicos, unem forças em uma aventura de pancadaria que abrange estrelas, contra a mortal Onda de Aniquilação.
Desde a cidade de Nova York até as profundezas da Zona Negativa, o futuro do Universo será disputado através das estrelas em MARVEL Cosmic Invasion.
Com uma proposta no estilo beat ’em up, cheio de personagens clássicos, uma boa variação de combos e uma pegada gráfica que não só lembra clássicos de arcade, mas remete aos principais clássicos da marca, o jogo traz belas referências à era de ouro e prata dos quadrinhos.
Mas esse game funciona com você? Confira essa análise e veja se vale a pena.
Como o game funciona?
Um dos principais motivos para ir atrás desse game, primeiramente, é a nostalgia aos clássicos, como Marvel vs Capcom (1998), Cadillacs and Dinosaurs (1993), Streets of Rage (1991), o game do Justiceiro – The Punisher (1993) ou até mesmo aquele incrível game do Capitão América, de 1991.
Caso não seja da velha guarda, possivelmente você já tenha jogado ótimos beat ’em ups atuais, como Tartarugas Ninja: Shredder’s Revenge (2022), Streets of Rage 4 (2020) ou até mesmo o recente Neon Inferno (2025).
Esse game segue a linha desses jogos, entregando uma experiência bem divertida. Possui um modo campanha onde podemos escolher personagens, e os bloqueados são liberados conforme avançamos, totalizando 15 personagens. Que, sinceramente, adorei as escolhas: ótimos clássicos com referências nostálgicas, junto de personagens mais modernos que conseguem manter o nível dos antigos e, talvez, até serem mais divertidos, como Motoqueiro Fantasma Cósmico, Mulher-Hulk e Rocket Raccoon.
A história possui ramificações (rotas) de escolha, e ambas são obrigatórias nesse modo. Como de padrão, enfrentamos chefes que são personagens conhecidos dos quadrinhos. Uma história vai sendo apresentada a nós conforme avançamos nas fases.
O modo arcade traz a dificuldade do título, com uma quantidade de vidas limitada e, nas ramificações, a escolha de qual fase enfrentar. Lembrando que todos os modos estão disponíveis de forma cooperativa, aumentando a vida útil do game, mas não sendo o suficiente, já que seu modo história não é muito longo, algo até comum nesse gênero.
Segue um resumo sobre as horas de gameplay:
• Modo história: 3–5 horas
• Main + Extras: 7 horas
• 100%: 20 horas
Gameplay
Um dos grandes pontos de Cosmic Invasion é sua gameplay. Temos uma ótima escolha de personagens no elenco. Felizmente, estamos em uma época boa, onde até os personagens clássicos estão em mãos da Disney, então nada de ocultar ou retirar personagens clássicos: aqui, eles são valorizados.
Ver Capitão América, Wolverine e Homem de Ferro juntos, fazendo movimentos clássicos de Marvel vs Capcom, é nostálgico, divertido e, impressionantemente, tão fluido quanto um game de luta.
Um adendo de curiosidade é que Phyla-Vell não é uma personagem original do game. Ela existe na Marvel há um bom tempo e, inclusive, aparece no final de Guardiões da Galáxia 3.
A sua presença aqui pode indicar projetos futuros com a personagem? Bom, só o tempo dirá.
Aqui podemos escolher dois personagens e mudá-los fase a fase. O game vai indicar os personagens recomendáveis, os canônicos daquele “mapa”. Ao lutar e executar combos, temos uma mecânica muito divertida: Cosmic Swap (Tag Team), onde fazemos uma troca rápida de personagens entre os golpes, possibilitando combos superinteressantes.
Porém, você vai estranhar a falta de algumas mecânicas, como agarrar e arremessar. Indiretamente, elas “estão” no game, porém cada personagem tem sua própria forma de realizar esse comando.
A mecânica de parry (sim, isso chegou aos beat ’em ups), adicionada, traz novas possibilidades, mas não se torna algo obrigatório na gameplay. Ainda assim, é um detalhe divertido disponível nos personagens.
Um ponto a citar é a dificuldade. Uma parte considerável dos jogadores diz que existe uma variação grande entre as fases, com momentos desequilibrados e frustrantes, principalmente no modo solo. Mas, de verdade, como alguém que zerou solo, posso afirmar que sim, existem picos de dificuldade, mas não ao ponto de se tornarem injustos.
Tudo é questão de se acostumar com os comandos e, se necessário, escolher personagens com maior familiaridade. Ao fazer isso, consegui passar de sufocos com poucas tentativas. Morrer faz parte do aprendizado e, com certeza, faz parte do beat ’em up — afinal, esses jogos eram feitos para roubar sua ficha.
Agora, uma crítica a se pontuar é que o modo história poderia ser um pouco maior ou melhor trabalhado. A batalha com o chefe final é bem decepcionante, e não será aumentando a dificuldade que isso vai melhorar. Mecanicamente e em design, não me vendeu a ideia. Poderíamos ter seguido a linha de escolher um vilão mais popular do universo ou até mesmo adicionar duas barras de vida, para passar a sensação de ápice no último confronto.
Gráficos, polêmicas e direção de arte
As referências mecânicas e gráficas a Marvel vs Capcom me agradaram muito e pegaram forte no fator nostalgia, como citado anteriormente. Felizmente, não parou por aí, já que o game abraçou fortemente a vibe retrô, aliada às eras de ouro e prata dos quadrinhos.
O game tem fortes referências e inspirações na lenda Jack Kirby. A versão de Asgard apresentada é explicitamente baseada em suas obras originais, incluindo personagens presentes no jogo. E não para por aqui, já que Kirby gostava de misturar elementos como magia e tecnologia.
Podemos ver essas influências em conceitos e referências espalhadas pelo game, como na fase Floating Habitat, que me lembrou sua passagem pelos Inumanos. A parte cósmica, com personagens como Surfista Prateado e Galactus, dispensa explicações — uma breve pesquisa no Google já mostra o quanto o projeto faz jus ao nome “Cosmic Invasion”.
E, por mais que eu compreenda algumas críticas relacionadas à simplicidade da pixel art quando comparada a títulos do mesmo gênero, dizer que o game é básico ou feio me parece exagero. Mesmo com simplicidade, há muita beleza, detalhes e respeito ao estilo que esse jogo representa.

Criador do canal Toca Du Corvo
