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Review de Digimon Story: Time Stranger | PC

O Patobah agradece a BANDAI NAMCO pela licença e confiança

Review de Digimon Story: Time Stranger | PC

Qual a boa dos monstros digitais?

Digimon Story: Time Stranger, resumidamente, é um RPG por turnos que chega quase uma década depois de Digimon Story: Cyber Sleuth. Bandai, em conjunto com a Media Vision, traz um novo título que, à primeira vista, promete honrar o peso do nome aos fãs e, quem sabe, conquistar novos amantes pelo caminho.

Temos até um curta animado com uma carga dramática que tenta passar um pouco da energia que teremos em Time Stranger. Pode assistir antes de jogar ou conforme joga, que não vai prejudicar nem oferecer spoilers relevantes.

Ao juntar os materiais de divulgação, vemos o objetivo: trazer um game com boas doses de drama, bons personagens e um sistema complexo de evoluções, com mais de 400 monstros digitais para capturar e colecionar, proporcionando boas horas de gameplay.

Mas agora vêm aquelas perguntas: aprofundar-se nesses elementos funciona? Depois de tantos anos, valeu a espera? Siga nesta review que irei abordar esses e outros detalhes de Digimon Story: Time Stranger.

E como a história segue?

Aqui é o momento de escolher o seu personagem e adentrar o universo de Time Stranger. Como o nome sugere, a narrativa flerta com viagem no tempo, porém ela é desenvolvida ao longo de boas horas de gameplay. Então, não poderei me aprofundar nesse contexto sem entregar spoilers mais pesados.

Você controla um(a) agente da organização secreta ADAMAS, investigando “anomalias” ou “incursões” dos monstros em nosso mundo. Quando tudo dá errado e a Terra entra em caos, você é jogado para outra linha temporal. A partir daqui, precisa investigar e impedir o caos iminente no mundo humano.

Gosto muito de games que trabalham com um início mais longo, ensinando partes da mecânica e, depois de umas boas horinhas, nos levam à tela de título, onde somos bombardeados por novas possibilidades. Esse Digimon faz isso muito bem. Passamos cerca de 10 horas explorando mapas urbanos, sendo introduzidos à narrativa, gameplay e personagens, para depois cair no mundo Digimon e desfrutar dele por mais boas horas.

A história, no geral, é aceitável, com cargas dramáticas, bons personagens e um plot envolvente. Você quer saber mais sobre os mistérios e o desfecho. Porém, como a Digievolução e De-Digievolução fazem parte crucial da gameplay, a história cresce, mas tropeça em alguns pontos e, em vez de usar isso para fortalecer sua narrativa e evoluir, ela se mantém comedida, dando o sentimento de que falta algo.

O ritmo da campanha é bom, mas há uma reta final repetitiva. As missões secundárias, por mais que tenham recompensas úteis, são desnecessárias no quesito história. Se estiver em dificuldades menores, nem vai precisar dos bônus que elas dão. São simples, e podem render um ou outro personagem carismático pelo caminho.

Um detalhe que merece destaque é a narração dos personagens. Faz toda a diferença. Um game nesse estilo, narrado, dá um respiro muito bom e ajuda a criar ritmo à história. Claro que aqui não é o tempo todo, mas o fato de ter isso em boa parte da narrativa é satisfatório.

Infelizmente, o protagonista mudo ainda é um problema. O(a) agente acaba ficando em segundo plano e, sem uma voz e personalidade, o sentimento de desconexão cresce com o tempo. Hoje em dia, é possível dar mais carisma a personagens padrão; uma voz cria proximidade e conexão. Se o foco é trazer carga dramática, um protagonista inexpressivo não ajuda.

Gráficos e direção de arte

Tecnicamente, o jogo rodou super bem em minha máquina secundária. Não tive problemas de queda de FPS ou texturas, embora haja relatos desses problemas em consoles, travados a 30 quadros, o que pode incomodar alguns jogadores.

Time Stranger é um game muito bonito. Temos as melhores versões dos Digimon em um jogo da franquia, uma evolução notável em relação ao título anterior. O design dos monstros é lindo e estranho ao mesmo tempo, mostrando o quanto esse universo é diverso.

Os detalhes, os golpes e os efeitos especiais brilham. Após as horas iniciais, o jogo mostra seu ponto mais forte: o mundo digital, repleto de biomas variados e visuais inspiradores. A equipe caprichou — é um mundo rico, ousado, curioso.

Infelizmente, os mapas não são muito grandes, o que limita a exploração. O jogo se beneficiaria muito se aproveitasse melhor o potencial dessas regiões.

Um problema com DLCs

Um detalhe a se pontuar é que o game acaba colocando à venda alguns conteúdos “peculiares”, o que incomodou parte da comunidade. Músicas, como as do anime, cosméticos, monstros e linhas evolutivas como bônus de pré-venda/edições especiais — todos são itens que podem ser adquiridos dentro do próprio jogo, o que diminui o impacto negativo.

Na minha visão, nada disso é prejudicial. São conteúdos opcionais que não comprometem a experiência principal. Ainda assim, o pós-lançamento com episódios bônus e possíveis novas criaturas em DLCs futuras dirá se algo relevante foi removido do conteúdo base.

Gameplay

Um dos pontos altos do game é a jogabilidade. É satisfatória, convidativa a novos players e, ao mesmo tempo, agrada boa parte dos veteranos.

Segue a clássica mecânica de “pedra, papel e tesoura” dos Digimon para determinar vantagens e fraquezas — algo comum em JRPGs. Para novatos, o básico já será o suficiente para superar a maioria dos desafios, mas quem busca mais profundidade deve começar no modo mais difícil, pois o jogo é relativamente fácil.

Os elos de amizade com os Digimon ajudam muito no crescimento e desbloqueio de novos poderes. Você conversa e escolhe respostas que definem o caminho evolutivo do Digimon. Isso se une aos upgrades do agente, que concedem bônus específicos à criatura.

A equipe é composta por seis Digimon — três titulares e três reservas — além de companheiros temporários que servem de suporte em momentos-chave.

A captura de novos Digimon é feita por análise de dados. Batalhas repetidas contra o mesmo tipo de criatura aumentam a porcentagem de dados coletados. Ao atingir 100%, é possível criar aquele Digimon; em 200%, ele nasce ainda mais forte.

A parte do XP é bem equilibrada — todos os Digimon recebem experiência, estejam ou não em combate, permitindo progressão constante.

O grande destaque é o sistema de Digievolução, com ramificações complexas e liberdade total. É possível regredir e evoluir novamente, buscando novas formas e status. Essa mecânica é fenomenal, incentiva experimentação e desperta nostalgia — especialmente para quem viveu a febre dos Digimon no Brasil dos anos 2000.

Os modos pós-game, com novas dificuldades e o New Game+, aumentam a rejogabilidade. A diversão e profundidade do sistema fazem você querer planejar estratégias cada vez melhores.

O maior problema de Time Stranger

Apesar dos méritos, o jogo é linear em muitos momentos. O ciclo “base → história → mapa → chefe → próxima área” se repete, tornando a estrutura previsível.

Mesmo com uma história envolvente e personagens carismáticos, a gameplay poderia ter sido mais aproveitada. Os mapas são pequenos, as masmorras repetitivas e as missões secundárias não agregam muito.

Há muito o que fazer com os Digimon, mas pouco espaço para usufruir da variedade de mecânicas que o jogo oferece.

PATÔMETRO
Conclusão
Digimon Story: Time Stranger entrega um ótimo game, agradável e divertido, mesmo com seus tropeços. Ele reintegra com sucesso a franquia ao público moderno e mantém viva a essência da saga. Definitivamente, é um dos melhores JRPGs de 2025, e um dos títulos mais competentes da Bandai em anos. Toda vez que a Bandai se permite ousar, deixando a liberdade criativa fluir, Digimon ganha espaço e relevância. O esforço junto à Media Vision se mostra acertado — e se os próximos títulos seguirem essa linha, a franquia pode, finalmente, alcançar seu auge
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