Boa Leitura!

Review de Dark Souls II

Review de Dark Souls II Review de Dark Souls II


Julie

Platinadora e fã de survival horror e jogos navinha. Maior defensora de jogos japoneses. Gosto de escrever sobre tudo que eu jogo, sejam experiências boas ou ruins!


Depois do sucesso de Dark Souls, a FromSoftware havia estabelecido no mercado o gênero “Soulslike”. Dark Souls tinha se tornado referência e inovação no gênero ARPG. E, como diz aquele velho ditado: se fez sucesso, tem sequência. Em 2014, era lançada a tão esperada continuação de Dark Souls, mas será que essa sequência conseguiu ser tão boa quanto seu antecessor?

Inicialmente, quero deixar bem claro que estou fazendo a review da versão de 2014, chamada “Vanilla”. Portanto, não vou falar sobre a versão Scholar of the First Sin e nem sobre as mudanças que essa versão trouxe.

Lançado em 11 de março de 2014, Dark Souls II é o título mais divisivo da franquia. Dark Souls II contava com muitas inovações e mecânicas, além de uma jogabilidade mais fluida e gráficos impressionantes para a sua época.

O jogo foi lançado para PS3, Xbox 360 e PC. Posteriormente, recebeu uma nova versão chamada Scholar of the First Sin, lançada para PS4 e Xbox One.

HISTÓRIA


Dark Souls II começa nos apresentando uma cutscene linda. Ao contrário de Dark Souls, em que o maior protagonista era o próprio mundo, em Dark Souls II o seu personagem é o maior foco da narrativa, e essa cutscene fala de Drangleic, que é o lugar para onde você deve ir.

A cinemática mostra o personagem em uma floresta e, logo depois disso, você já está no controle dele. Indo um pouco mais à frente, você chega a uma casa onde há três idosas que eram guardiãs do fogo (Fire Keepers). É nesse local que você vai criar o seu personagem, e a customização aqui está bem melhor do que no primeiro título. O jogo contém inúmeros detalhes e opções de personalização, então você pode acabar ficando um bom tempo nessa etapa.

Seguindo um pouco mais adiante, você chega a Majula, que, na minha opinião, é o melhor hub da série Souls. Majula é linda, cheia de vida, com NPCs marcantes e aquela música sensacional ao fundo. É aqui que você se sente seguro e percebe que Dark Souls II vai ser uma experiência e tanto.

Inicialmente, em Majula, temos quatro NPCs, mas, ao decorrer do jogo, outros acabam indo para lá. Conversando com a mulher perto de uma árvore, você conhece a Esmeralda, e é ela quem vai upar seus níveis e seus frascos de Estus.

O seu objetivo aqui é bem parecido com o do primeiro jogo: ir atrás de quatro lordes para abrir a porta que leva ao Castelo de Drangleic. A história de Dark Souls II é riquíssima e é um dos maiores pontos positivos do jogo. Vale muito a pena se aprofundar nele só pela história.

GAMEPLAY

Dark Souls II conta com uma gameplay aprimorada em relação ao primeiro jogo. Em vez de rolarmos apenas para quatro direções, aqui podemos rolar em oito, mesmo com a mira travada. O jogo também ficou bem mais rápido e dinâmico. No começo, você pode estranhar a jogabilidade, pois ela é bem diferente de seu antecessor, mas, depois de algumas horas, você já se acostuma.

Dark Souls II mantém o sistema de atributos de seu antecessor, porém um deles acabou sendo bastante modificado e aqui é chamado de ADP, ou Adaptabilidade. Diferente de Dark Souls, a velocidade com que você usa os itens e os frames de invencibilidade da sua rolagem não são fixos. A Adaptabilidade, a cada nível aumentado, melhora sua velocidade e seus frames de invencibilidade, e isso é o que mais divide o público entre os que gostam e os que não gostam do jogo.

É meio delicado falar desse atributo, pois eu não desgosto nem gosto. A partir do level 25, você nem precisa upar mais, pois a velocidade e os frames já ficam bem satisfatórios. Eu entendo que é algo que incomoda muita gente, já que a maioria prefere um padrão fixo, mas, na minha opinião, isso não interfere em nada no jogo.

Dark Souls II trouxe muitas inovações na gameplay, e uma adição incrível foi o Power Stance. O Power Stance permite que você equipe duas armas compatíveis e concede a elas um moveset totalmente diferente. Você pode equipar duas rapieiras, duas greatswords, duas espadas retas e muito mais; a variedade é enorme e é, com certeza, uma das melhores adições do jogo. Para usar o Power Stance, você precisa ter 1,5x os requisitos de cada arma.

Outra adição muito boa foi em relação ao NG+. Nos outros jogos, as mudanças no NG+ são somente o aumento do dano e do HP dos inimigos, mas, em Dark Souls II, é totalmente diferente. O NG+ de Dark Souls II muda muita coisa, o jogo adiciona novos inimigos, novos invasores e novos itens, o que aumenta bastante o fator replay.

Esse é o jogo da série com o melhor fator replay, disparado. Compensa muito jogar os NG+ só para ver as mudanças e os novos itens. Dark Souls II também conta com uma variedade gigantesca de armas e sets; aqui, a quantidade de builds que você pode fazer é enorme e com certeza vai agradar à grande maioria dos jogadores. O jogo também permite equipar 4 anéis ao invés de 2, o que é uma excelente adição.

A gameplay desse jogo é uma das minhas favoritas do gênero. Eu entendo que alguns aspectos podem incomodar muitas pessoas. O jogo parece ser mais lento que o primeiro, mas, na realidade, isso é apenas uma impressão, Dark Souls II aprimorou bastante a jogabilidade e a variedade de builds.

LEVEL DESIGN


Agora iremos entrar em um ponto um pouco controverso, que é a questão do level design. Ao chegar em Majula, você pode seguir por dois caminhos: um leva você à Forest of the Fallen Giants (Floresta dos Gigantes Caídos) e o outro à Heide’s Tower of Flame (Torre de Chamas de Heide). O caminho convencional é seguir para a Forest of the Fallen Giants e chegar até Lost Bastille. Alternativamente, você pode seguir pela Heide’s Tower of Flame e passar por No-Man’s Wharf (Cais de Ninguém) para chegar à Lost Bastille.

Dark Souls II conta com diversas áreas legais. Lost Bastille é bem interessante, e a atmosfera dela é sensacional. Harvest Valley (Vale da Colheita) é uma das minhas áreas favoritas desse jogo e, mesmo tendo a parte chata do veneno, eu ainda a acho uma área incrível. Drangleic Castle (Castelo de Drangleic) é, na minha opinião, a melhor área do jogo. O castelo é lindo visualmente, tem diversos segredos e inimigos, e o chefe final da área é simplesmente épico. O Castelo de Drangleic é uma das áreas mais lindas da série Souls.

Shrine of Amana (Santuário de Amana) é outra área linda. Mesmo sendo um lugar traiçoeiro e repleto de inimigos, eu ainda acho esse lugar deslumbrante e mágico. E é claro que não podemos falar de áreas memoráveis sem citar Dragon Shrine (Santuário dos Dragões). Essa é uma área linda, repleta de segredos e itens, com inimigos muito interessantes e uma ambientação simplesmente magnífica.

Porém, com tantas áreas legais, algumas acabam deixando a desejar bastante no level design. Em Earthen Peak (Pico Terroso), você pega um elevador que faz você chegar a Iron Keep (Masmorra de Ferro), o que não faz nenhum sentido, pois Iron Keep é um lugar repleto de lava no chão, o que gera uma inconsistência no level design. E, falando em Iron Keep, essa é uma das áreas de que eu menos gosto nesse jogo. O lugar é repleto de Cavaleiros Alonne, e fica muito difícil avançar rapidamente pela área.

O maior problema disso tudo é que não dá para ir direto para a névoa do chefe se você matar os inimigos, pois você não tem frames de invencibilidade ao tentar entrar na luta contra o chefe. Outra área de que eu desgosto é Black Gulch (Ravina Negra). Essa área contém estátuas que causam envenenamento o tempo todo, e ficar envenenado em Dark Souls II é como ficar com o efeito de tóxico no primeiro jogo.

O que mais me incomoda é que a área anterior é literalmente uma cópia de Blighttown, só que com a diferença de você precisar usar tochas para enxergar. Há outras áreas de que eu não gosto muito, como Undead Crypt (Cripta dos Mortos-Vivos) e Aldia’s Keep (Masmorra de Aldia).

Mesmo com algumas inconsistências, Dark Souls II contém um bom level design, principalmente na parte da exploração. Esse jogo tem a melhor exploração e a maior quantidade de itens únicos da trilogia. Existem diversos segredos que você só consegue descobrir usando certos itens, como a Pedra de Trava de Pharros e o Ramo Perfumado de Outrora. Dark Souls II trouxe muitas inovações para a franquia e, mesmo o level design sendo inferior ao do primeiro jogo, ele compensa no fator exploração.

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BOSSES

Aqui, na minha opinião, é onde Dark Souls II mais peca. Dark Souls I também não acertava muito nos chefes, mas existiam chefes muito marcantes, como Ornstein & Smough e Sif. Porém, em Dark Souls II, eles optaram por outro caminho. Esse é o jogo da trilogia com o maior número de chefes: são 42 chefes, contando com as três DLCs que o jogo tem. Isso era para ser algo muito positivo, mas, na realidade, acabou sendo o oposto.

Os chefes desse jogo, eu diria que 90%, são ruins ou esquecíveis. Claro que o jogo contém bosses muito bons, principalmente nas DLCs, mas, contando apenas os bosses do jogo base, é algo que realmente deixa bastante a desejar.

Os bosses de que eu mais gostei foram Lost Sinner (Pecadora Perdida), Smelter Demon (Demônio da Fornalha), Darklurker, Velstadt, Fume Knight, Sir Alonne, Sinh the Slumbering Dragon e Burnt Ivory King (Rei de Marfim).

Porém, o resto dos chefes é algo complicado. A maioria deles sofrem do mesmo problema que é ter um moveset extremamente previsível e uma dificuldade inexistente. Existem bosses em que você pode simplesmente andar para o lado que ele não consegue te acertar. Dragon Rider é um dos bosses mais fáceis do jogo, você pode simplesmente andar que ele não consegue te acertar. O jogo ainda o repete no Castelo de Drangleic e coloca dois na mesma luta.

Royal Rat Vanguard é tão ruim que virou um meme na comunidade Souls. É basicamente um monte de ratos, e o boss de verdade é um rato de moicano, é simplesmente uma piada. Royal Rat Authority é como o boss anterior, a diferença é que há um rato gigante com outros inimigos que te dão veneno. Essa luta é tão malfeita que simplesmente nada faz sentido, até a hitbox consegue ser problemática nesse boss.

Mas nada se compara a Aldia, o boss final. Aldia é tão ruim que é a única luta desse jogo que eu realmente desprezo. Simplesmente não há nada que se salve nesse chefe, nem visual, nem moveset, nem OST, nem história. Ele disputa com Bed of Chaos como pior boss da trilogia.

GRÁFICOS E DIREÇÃO DE ARTE


Dark Souls II conta com uma direção de arte impecável. Você olha para os cenários e os gráficos de cada mapa do jogo e fica simplesmente maravilhado. O próprio Castelo de Drangleic é lindo demais, apesar de que algumas áreas sejam bem vazias. Por exemplo, você chega a uma sala que simplesmente só tem um baú e nada mais; não há um item de decoração, não há um quadro, é simplesmente um quarto vazio e escuro.

Majula é outro exemplo de um belo lugar. Tudo é vivo e, mesmo na versão de 2014, os gráficos não deixam a desejar, claro que, na versão Scholar, eles foram aprimorados.

Algumas pessoas preferem a direção de arte do primeiro jogo, e eu concordo em partes. Em Duke’s Archives, de Dark Souls I, era lotado de detalhes e objetos no cenário que davam mais vida àquele lugar, e eu senti falta disso em alguns lugares em Dark Souls II, como no próprio Castelo de Drangleic, que é uma área tão linda visualmente, mas, por dentro, é vazia.

Mas, mesmo com isso, eu ainda acho a direção de arte desse jogo muito boa, e é um dos seus pontos mais altos.

RUIM OU SUBESTIMADO


Todo mundo deve estar cansado de ouvir que Dark Souls II é um jogo ruim, e é até clichê entrar nesse ponto, porque existem diversos vídeos, análises e artigos citando essa mesma questão. Mas é claro que Dark Souls II não é um jogo ruim. Sendo bem sincera, existem muitos pontos nesse jogo que são superiores aos de outros títulos da FromSoftware.

O sistema de NG+ é o melhor da FromSoftware até hoje. A variedade de builds é gigantesca, assim como a quantidade de itens diferenciados, como o Braseiro da Adversidade, que coloca aquela área da fogueira no próximo NG sem a necessidade de zerar o jogo. Esse jogo contém muitas qualidades que foram reutilizadas no próprio Elden Ring.

Claro que ele contém seus problemas, e isso todo jogo tem, mas os problemas dele não tiram a qualidade que esse jogo possui. Esse é um dos títulos mais únicos da From, abordou ideias novas e conseguiu se diferenciar muito dos outros jogos.

Dark Souls II ainda conta com três DLCs que eu não vou abordar nesta review, mas que são tão boas ou até melhores que o jogo base.

Dark Souls II não fica atrás dos outros jogos da franquia; contém suas qualidades e seu próprio estilo único, sem se distanciar do que a franquia é.

PATÔMETRO
Conclusão
Notas do Visitante1 Vote
9.5
PONTOS POSITIVOS
Excelente fator replay
Melhor exploração da franquia com alguma inconsistências
DLCs muito boas
Muitas opções de builds e itens
Gráficos lindos e uma bela direção de arte
PONTOS NEGATIVOS
Muitos chefes fracos e sem graça
Mecânica de adaptabilidade desnecessária
7.9
NOTA FINAL

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