Danganronpa: Trigger Happy Havoc é uma visual novel e o primeiro título da franquia que viria a se tornar um sucesso mundial entre os fãs do gênero. Chegou a receber um anime que é bem curto, mas visualmente muito bonito, e que se aprofunda em detalhes que o jogo não nos mostra e em conteúdo adicional que envolve a sequência Danganronpa 2: Goodbye Despair; portanto, recomendo que jogue os games primeiro e, depois, assista ao anime, caso goste do que viu.
História e premissa
Vivemos a história através dos olhos de Makoto Naegi, um estudante que está prestes a começar sua vida no ensino médio. Ao contrário da maioria, Makoto é selecionado para estudar na Hope’s Peak Academy, conhecida como a melhor escola do mundo, que desenvolve os talentos de seus estudantes para que sejam a esperança da humanidade.
Todo aluno é especial em alguma área profissional e eles são conhecidos como “Super Colegiais”. Temos, por exemplo, o Super Colegial Jogador de Baseball, a Super Colegial Modelo, a Nadadora Olímpica e a Artista Marcial. O que isso significa? Significa que essa pessoa é a melhor no que faz em nível colegial. No entanto, Makoto não possui talento especial algum; todo ano, a escola realiza um sorteio para ceder uma vaga a uma pessoa comum. Quem ganha fica conhecido como o “Super Colegial Sortudo” e recebe o direito de cursar o ensino médio lá.
No primeiro dia de aula, Makoto e os demais estudantes chegam à escola para se apresentar, mas, ao passar pelo portão, a visão de todos fica turva e eles acabam desacordados. Passam-se algumas horas e acordamos dentro de uma sala de aula vazia. As janelas estão cobertas com chapas de metal, impossibilitando-nos de ver o mundo lá fora. Há um guia escrito: “Bem-vindo à sua nova vida; venha para a sala de conferência”.
Ao sairmos para descobrir o que aconteceu, nos deparamos com os outros 14 alunos em uma sala com uma porta de cofre gigantesca e armas apontadas para quem tentasse abri-la. Após conversarmos com todos e descobrirmos seus super talentos, um monitor liga e transmite uma mensagem mandando todos se encontrarem na quadra de esportes.
Lá, nos deparamos com um urso de pelúcia medonho que anda e fala: ele é Monokuma, a mente por trás do sequestro. Somos, então, bombardeados com a seguinte afirmação: “Existe uma única forma de sair desta escola e é bem simples: basta matar um de seus colegas e não ser pego”.
Mondo, o Super Colegial Líder de Gangue, agarra o urso e o ameaça, mas o boneco explode — felizmente, Mondo percebe o perigo a tempo. Outro Monokuma aparece e avisa que qualquer ato de violência contra o diretor é proibido sob pena de morte. Ele explica as regras do jogo: caso haja um assassinato, haverá um tempo para investigação de pistas e álibis. Depois, ocorre o “Class Trial” (julgamento escolar):
- Se o grupo acertar o culpado: Apenas o assassino é executado.
- Se o grupo errar: O assassino fica livre e todos os outros morrem.
Esta é a introdução ao desespero de Danganronpa. Monokuma é uma mente maligna que usa segredos, dinheiro e ameaças à família para desestabilizar os alunos. Quem está controlando o urso? Por que a polícia não os achou? Como os pais estão reagindo? Essas perguntas serão respondidas com o progresso da história.
Gameplay
Durante o game, podemos andar livremente pela escola e explorar quase todas as salas; algumas, porém, ficam bloqueadas até chegarmos a certo ponto da história. As mecânicas são básicas, afinal, trata-se de uma visual novel, mas são bem-feitas e agregam muito à experiência e à imersão.
Caso não haja algum assassinato, podemos escolher um personagem para passar o tempo. Esse evento é chamado de “Free Time”, e é através dele que ganhamos níveis de relacionamento e amizade com os outros estudantes. Ao final do encontro, podemos dar presentes ao personagem escolhido e, ao alcançar certo nível de intimidade, liberamos habilidades novas.
Já durante os Class Trials, o desafio muda:
- Temos que montar argumentos para concordar ou discordar do que os outros falam;
- Apresentamos as evidências encontradas durante a investigação;
- Jogamos minigames, como um “caça-palavras” no qual devemos escolher letras para formar a palavra-chave e criar uma linha de pensamento.
Ao final do julgamento, devemos indicar alguém como o culpado. O game exige que você se coloque na pele do protagonista, sentindo como ele sofre toda vez que precisa investigar um assassinato ou apontar um de seus amigos como criminoso — e, ao mesmo tempo, como ele se mantém esperançoso de que, no dia seguinte, tudo vai melhorar.
Direção de arte
O game possui gráficos simplistas com o estilo visual de anime japonês. Os personagens são muito coloridos e o jogo, no geral, apresenta cenários bem-feitos e imersivos, mas sem tirar o destaque especial do elenco. A estética utiliza bastante o cel shading em 2D e, às vezes, em 3D; esses gráficos funcionam muito bem para a proposta do game de ser simples, mas com uma história, enredo e personagens extremamente carismáticos.
Já a trilha sonora é algo pela qual eu, particularmente, me apaixonei. As músicas são muito características da franquia, desde o tema do menu até as faixas que escutamos enquanto investigamos ou quando estamos prestes a descobrir algo marcante. É impossível jogar Danganronpa e não ficar com a trilha sonora gravada na cabeça.
Desempenho
O game é extremamente leve e bem otimizado, podendo ser jogado em qualquer máquina sem muitos problemas e durante a minha jogatina não encontrei bugs de save ou que impedissem o meu progresso.

Criador de conteúdo.


