Em 2023, a Marvel decidiu revisitar um de seus mais ousados experimentos do início dos anos 2000, o Universo Ultimate, com comando de Jonathan Hickman marcando não apenas o retorno dessa idéia lendária, mas uma completa reconstrução de sua essência. Diferenciando da tentativa de recriar o sucesso passado, Hickman propõe mais, questionar o próprio conceito de heroísmo em um mundo moldado pelo controle, pela manipulação e pela ausência do principal elemento dos heróis, a esperança.
Universo Ultimate estreado em agosto de 2025 pela editora Panini, conta com 240 páginas com capa cartão e lombada quadrada, contendo as edições Ultimate Invasion (2023) 1-4 e Ultimate Universe (2023) 1, com roteiro de Jonathan Hickman e desenhos de Bryan Hitch em Ultimate Invasion e Stefano Caselli em Ultimate Universe.


Se no começo dos anos 2000 o selo Ultimate servia para modernizar os heróis para uma nova geração, agora ele vem com uma proposta semelhante, porém de uma forma bastante diferente, com iniciativa do Criador (Reed Richards do antigo Universo Ultimate) a mente mais perigosa do multiverso.
Como citado anteriormente, tudo começa com a fuga do Criador, que era mantdo preso pelos illuminati, grupo formado por Reed Richards, Tony Stark, T’Challa, Namor entre outros, o Criador consegue escapar ao manipular sua prisão criando um clone de si mesmo com vários mercenários que foram libertá-lo, agora de volta à ativa, carrega um único propósito, recriar o mundo à sua imagem, eliminando o “caos” representado pelos heróis.


Após roubas artefatos e tecnologia avançada de vários lugares do mundo, o Criador utilizando esses objetos que conseguiu, cria uma ponte para o multiverso, para um mundo em que vários dos eventos conhecidos dos heróis não aconteceram ainda, a picada da aranha em Peter Parker, o encontro de Steve Rogers congelado, o vôo do quarteto fantástico ao espaço, entre outros, e nisso ele segue agindo de forma a evitar que vários desses acontecimentos não sigam a linha natural das coisas.
Então são mostradas as fichas dos “heróis” muitos falecidos, alguns detidos, outros controlados e outros inativos, assim, o planeta cresce sobre um controle invisível, sem mitos heroicos e sem símbolos de rebeldia, apenas a ordem e obediência.
O Criador por sua vez não age sozinho, ele estabelece uma rede de governos e corporações subordinadas, controladas por ele de forma indireta, com até o mapa mundi aparecendo mostrando as áreas de controle desses governos, que são comandados por magnatas da tecnologia, e com avanços científicos que não deveriam existir sem causa aparente.
Após uma viagem a Latvéria de Obadiah Stane e Howard Stark, vemos que a cidade está sendo atacada por viajantes temporais que parecem com os heróis que conhecemos em busca do Criador e de outros alvos, Obadiah nesse embate é golpeado e deixando sua armadura em estado crítico, que resulta em uma forte explosão apagando Howard Stark.
Howard acorda em uma sala com o Criador o explicando sobre o mundo que criou e mostrando que tem vários dos viajantes temporais aprisionados, logo várias pessoas inocentes entram na sala e são executadas, fazendo com que os heróis presos também morram e isso se deve ao criador ter localizado a matriz do DNA desses prisioneiros no presente e com isso cria o efeito borboleta fazendo com que os prisioneiros sejam desintegrados, isso choca Howard que não quer contribuir para um mundo assim.
Howard aceita ajudar o Criador a criar o Motor Immortus, uma máquina do tempo, e por ter sido atacado anteriormente e ser ferido, sua memória ficou prejudicada, falha e fraturada, mas ele acredita que foi Howard Stark que criou a máquina do tempo em uma das viagens temporais que ele fez.
Howard logo começa a trabalhar com Reed Richards desse universo que se parece mais com o Doom, para criar o Motor Immortus. Também somos apresentados brevemente aos guerreiros do futuro que são enviados ao passado para deter o Criador e surpreendentemente o líder é o Kang que se parece com o Homem de Ferro.
Reed e Howard começam a se tornar amigos em seus trabalhos, é alegado por Reed que o Criador tortura ele e o mantém na sala em que eles trabalham manipulando a passagem do tempo, fazendo com que não seja capaz de calcular o tempo que estão trabalhando ali dentro. Logo eles começam a tramar contra o Criador, e quando terminam de recriar o Motor Immortus, Howard mantém a atenção do criador em si, enquanto Reed baixava o escudo temporal, permitindo que os heróis do futuro adentrassem na cidade e depois trancando eles dentro da cidade com o Criador.
O Criador luta com Kang em uma tentativa de cessar a destruição de seu império, logo ele se lembra de qual foi o seu máximo onde ele refazia o mundo, onde o futuro terminava e como ele foi ferido ficando com sua memória falha e fraturada, Kang era o responsável, interrompendo o combate dos dois Howard Stark se explode, supostamente matando vários ali dentro. Reed por outro lado, já fora do globo temporal, no castelo do Criador, pega o núcleo de energia do Motor Immortus e foge.
Logo vemos em uma reunião dos líderes do mundo que terão dois anos até o Domo temporal se abrir novamente e com isso também é dito que estão sem os cabeças da américa do Norte que era Obadiah e Howard Stark e então votam para que dividam o território entre si e governar com a mão firme.
Reed já na torre Stark conhece o filho de Howard, Tony e fala de toda a trama do Criador, com o mundo acabando e com o futuro colidindo com o agora, e também tem uma carta de Howard para Tony junto do motor Immortus quebrado, Juntos Reed e Tony criam uma armadura para que possam tentar reunir alguns símbolos rebeldes.
Primeiramente vão atrás do primeiro vingador, o Capitão América que ainda estava congelado, depois vão atrás de Thor que estava preso em Asgard, e ao regressarem a terra, Lady Sif que mantinha Thor sob sua supervisão ao tentar interrompê-los também é transportada, ao ser explicada da situação Lady Sif concorda em se juntar a equipe que está sendo formada, com o objetivo de resgatar qualquer artefato que são catalisadores para os heróis que o Criador prejudicou.
Na Latvéria os heróis acham os depósitos, porém são interceptados por Capitão Britânia que fere gravemente o Thor, mas rapidamente é derrotado por Tony, e regressam com um dos contêiners que logo após é revelado se tratar de uma câmara que mantinha uma aranha em criogenia, entre outros tipos de catalisadores.
Os líderes Globais se reúnem e o Hulk faz com que um dos satélites das empresas Stark atirem contra o prédio de seus donos, e que depois venderiam esse incidente como um surto do adolescente Tony Stark devido a perda de seu Pai Howard, e ficamos com esse mistério no fim, do que pode ter acontecido na torre Stark.
O que Hickman faz aqui é mais do que qualquer relançamento ou revitalização de uma marca, é um manifesto narrativo sobre o poder e o livre-arbítrio, transformando o mito do herói em uma reposta política em um mundo moldado pela manipulação e apatia, ser herói é um gesto de insubordinação, e com o fator de ausência de poderes, trás a falta de esperança que o Criador queria para os mais fracos, e a cada renascimento de herói que é feito aqui, representa o retorno dos ideais que o controle não pode suprimir.
Aqui temos um terreno fértil para grandes idéias desabrocharem, onde cada herói irá provar que o heroísmo ainda tem espaço em um mundo que esqueceu o que é acreditar, sendo esse um ótimo ponto de partida para novos leitores que buscam se aventurar nos títulos Ultimate, quanto para leitores que acompanham o universo Marvel e não querem ficar de fora dessa grande saga que está sendo criada encabeçada pelo Criador.
Continua…


Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah
