Criado por Robert Kirkman em 2003 invencível passou vários anos sendo publicado fora do Brasil e falando do nosso território nacional, houveram várias falhas, porém dessa vez após o hype e popularização de invencível devido a animação da Amazon Prime Video, temos finalmente invencível sendo publicado pela Panini.
As aventuras de Mark Grayson contidas nesse encadernado são transmitidas em 120 páginas com capa cartão e lombada quadrada e preço de capa de R$ 19,90, contendo as edições Invincible 1-4.
Nessa época Kirkman ainda não havia revelado a sua obra mais conhecida, The Walking Dead, (lançada meses depois). Ele era um jovem roteirista tentando mostrar que conseguia criar super-heróis originais fora do domínio da Marvel e da DC.
Ele queria pegar a estrutura clássica dos quadrinhos de super-heróis (origem, mentor, vilões, dilemas morais) e subverter as expectativas do leitor. A ideia era fazer algo familiar no começo, quase como um quadrinho da DC, mas que gradualmente se tornasse brutal, realista e emocionalmente devastador, essa abordagem fez Invencível ser descrito como “o melhor quadrinho de super-heróis da nova geração”.
O design de invencível foi desenvolvido por Cory Walker, inspirado em uniformes clássicos coloridos e simples com azul e amarelo. Kirkman queria explorar as consequências reais da violência entre seres superpoderosos, relações familiares, especialmente pai e filho e o crescimento e amadurecimento de um herói sem reboots ou cronologias confusas.

Além disso, invencível se destacou por combinar leveza e brutalidade começava como uma história de herói adolescente e virava um épico de ficção científica com política intergaláctica, traições e guerras sangrentas.
Com isso temos nesse primeiro encadernado intitulado de Negócios de Família que aqui, Robert Kirkman e Cory Walker estabelecem a base do universo, apresentam Mark Grayson e plantam as sementes do que viria a ser uma das histórias mais complexas e violentas dos quadrinhos modernos.
Mark Grayson é um adolescente aparentemente comum… exceto por um detalhe: seu pai é Nolan Grayson, o lendário Omni-Man, o super-herói mais poderoso do planeta.
Mark vive esperando o dia em que seus próprios poderes irão aparecer. Quando isso finalmente acontece depois de jogar um saco de lixo com força e vê-lo sumir no céu ele percebe que está prestes a seguir os passos do pai.
Nolan começa a treiná-lo, e Mark cria sua própria identidade heroica: Invencível. A primeira missão é simples: deter alguns criminosos mascarados e aprender o básico sobre responsabilidade nada muito pesado.
Mark começa a patrulhar as ruas e entende que ser herói não é tão glamouroso quanto parece, ele se envolve em combates pequenos, conhece a equipe Tropa Jovem, e forma uma conexão inicial com Eve Atômica.
Enquanto isso, Nolan observa o filho com orgulho e o chama para experimentar os seus poderes, mas no meio dessa aventura Nolan acaba ficando preso em outra dimensão devido uma invasão Alien que estava acontecendo.
Mark tenta equilibrar a escola, a família e a vida de super-herói e começa a aprender o custo de ser “invencível” especialmente quando vê o impacto real da violência e do perigo. O quadrinho ainda mantém um tom leve e juvenil, cheio de humor e dinâmica familiar, mas Kirkman deixa sutis pistas de que o mundo de Mark é mais sombrio do que ele imagina.
Tudo isso resulta em Mark descobrindo que seu professor de física era o responsável pelo desaparecimento dos alunos de sua escola e também tinha ligação com as explosões que estavam acontecendo nas últimas semanas, com um background bem pesado envolvendo divórcio e suicídio.
Por fim, Mark chega em casa e surpreendentemente seu pai, Nolan também, nas últimas cenas ele dá revelações bem importantes e que serão exploradas no futuro.



Kirkman entrega uma história de origem clássica, mas com uma escrita moderna, leve e irônica, que consegue divertir e instalar seu universo de maneira bastante consistente e instigante, mesmo não tentando reinventar o gênero, pelo menos não ainda, e é justamente isso que torna a virada posterior tão impactante.
O traço de Cory Walker é limpo, expressivo e remete aos quadrinhos dos anos 90 e início dos 2000, com um visual que contrasta perfeitamente com a brutalidade que virá. A paleta vibrante engana: parece um quadrinho juvenil, mas a trama já prepara o leitor para algo muito mais intenso.
Um início sólido, divertido e cheio de personalidade.
Essas quatro primeiras edições são acalmaria antes da tempestade, uma introdução leve que prepara o terreno para o choque que define Invencível, Kirkman planta cada semente com cuidado, a relação pai e filho, o mundo heroico aparentemente perfeito e o humor afiado, tudo pronto para desmoronar no momento certo. Sem dúvidas uma recomendação forte para quem quer um bom gibi para ler quanto para os que viram a animação da Amazon e amaram a ideia!
Continua…


Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah
