Demolidor por Mark Waid chegou ao Brasil no formato Marvel Saga, trazendo essa parte da história do personagem que foi tão importante para trazer um novo recomeço depois de tantos infortúnios que o personagem foi carregando com o passar do tempo.
Demolidor por Mark Waid Vol.1 conta com capa dura e 168 páginas, com um acabamento incrível e um grande trabalho editorial, com vários extras dessa fase ao fim do encadernado, vale ressaltar que esse encadernado contém as edições 1-6 de Daredevil (2011).
Para inserir o leitor a Demolidor por Mark Waid, é necessário contextualizar os acontecimentos com o personagem em fases anteriores como Frank Miller, Ann Nocenti, Brian Michael Bendis e Ed Brubaker e Andy Diggle, cada um deixando um fardo bastante pesado pro personagem carregar.
Miller por exemplo transformou o Demolidor de um herói secundário para um ícone sombrio, aprofundando o Rei do Crime, Elektra e também é nessa fase em que Karen Page é morta pelo mercenário, com um tom urbano pesado e moralmente ambíguo.
Bendis por sua vez fez com que a identidade de Matt fosse exposta e com isso mergulhou o personagem em um caos jurídico e moral, indo além de uma identidade revelada, isso conflitava ainda mais com o personagem por causa de sua religião, Matt por ser católico, nunca achou de bom tom se vangloriar de suas benfeitorias como demolidor, assim Bendis redefine o personagem mais uma vez fazendo com que Matt seja um homem que tenta sobreviver num mundo sem certezas.
Brubaker já piora bastante o tom da história, com Matt já começando essa fase preso e rodeado de vilões e dilemas éticos. Brubaker mantém o clima noir, porém adiciona paranoia e suspense de thrillers políticos e conclui o arco iniciado por Bendis.
Já Andy Diggle, faz com que Matt assuma o Tentáculo e tenta transformá-lo em uma força de justiça, mas nesse meio tempo é possuído por um demônio onde ele enfrenta os seus próprios demônios na forma mais literal possível.
Por fim, Mark Waid chega após anos de tragédias para o personagem e o reergue com uma abordagem leve e humanizada, trazendo de volta o sendo de humor e a esperança com uma arte vibrante e o foco na superação.
Nessas primeiras seis edições, Matt retorna a Nova York, com o Roteiro de Mark Waid e desenhos de Paolo Rivera e Marcos Martín, onde ele para um casamento da máfia que havia um boato de ataque, porém não era um ataque propriamente dito e sim um sequestro orquestrado pelo Mancha, um inimigo clássico do homem aranha que estava tentando pegar a filha de um dos mafiosos, Matt da maneira mais mulherengo possível rouba um beijo da noiva e acaba com o vilão.
Ao continuar as edições depois de uma introdução frenética, vemos que muitos ainda acham que Matt é o demolidor, mesmo após todas as controvérsias de ter conseguido esconder esse fato, mas é visível que essa informação pesa até mesmo em sua vida profissional, onde não consegue defender seus clientes sem que a outra parte comece a causar um caos no julgamento.
Vemos Matt sendo caçado pelo Capitão América devido os acontecimentos da época que Matt estava possuído, mas logo eles se resolvem quando Matt o faz lembrar de tudo o que já passou e usando até mesmo o exemplo do grande amigo de Steve, Bucky.
Já começando a explorar mais um caso, Matt ao investigar um prédio como Demolidor, acaba por ter que enfrentar Klaw, o clássico vilão sonoro do Pantera Negra, em uma batalha que desafia seus limites ao não conseguir se localizar devido os poderes do personagem.
Após isso Matt pede que seu cliente haja sozinho no tribunal e acaba vencendo o caso e aqui começa uma trama de crise profissional como motor narrativo, visto que Matt não consegue mais atuar, assim Matt começa a usar o Demolidor cada vez mais como um recurso para assegurar justiça fora dos tribunais, conseguindo provas mais que concretas para ajudar seus clientes.
No passar das edições podemos ver como são expostas as formas de crime e injustiça nas ruas de Nova York e como Matt sente a cidade que por sua vez brilha com a contribuição de Marcos Martín, com as composições que ressaltam a transição de espaço.



Logo somos apresentados ao novo antagonista que é chamado de Brutamontes que com grande força consegue causar uma grande pressão para o Demolidor, aqui Waid intercala vários confrontos de força bruta com vários momentos em que Matt precisa raciocinar, além da luta que é um grande chamativo, temos várias tramas de clientes e problemas pessoais que ampliam a sensação de multifaces que a vida de Matt tem.
Por fim, a sexta edição conclui o arco introdutório de Waid com um desfecho que combina ação e furtividade com vários momentos que reforçam o quão genial Matt consegue ser, tanto no meio físico quanto no diálogo, usando estratégias fortíssimas para sair de uma grande enrascada.
Com isso somos apresentados ao tom otimista e que Matt após tudo o que aconteceu em sua vida, ainda quer e consegue ser feliz, vendo tudo com mais cores do que seu próprio companheiro Foggyque geralmente é apresentado de maneira cômica.
Esse volume é um prato cheio para os fãs do homem sem medo, uma vez que além de ter um ótimo conteúdo, é de grande importância cronológica para o personagem, uma parte que é importante ressaltar é a qualidade do material, tanto pelo roteiro de Waid que devolve a Matt uma motivação esperançosa e criativa sem apagar seu passado, com um aprofundamento psicológico mas divertido, mas também a qualidade absurda entregada nas composições de Paolo Rivera e Marcos Martín que reforçam os sentidos ampliados de Matt e as cores mais vivas com layouts bastante inventivos para as sequências de ação, de fato uma grande recomendação para até mesmo pessoas que querem conhecer o personagem.
Continua…


Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah
