Boa Leitura!

PATONERD | ABSOLUTE SUPERMAN VOL.1

Absolute Superman finalmente chega ao Brasil pela Panini, sendo escrito por Jason Aaron e ilustrada por Rafa Sandoval, aqui somos apresentados em uma nova abordagem desse clássico herói da DC Comics, fazendo parte da nova iniciativa editorial da DC, o universo Absolute, reimaginando heróis sob uma ótica mais moderna e ousada, algo parecido com o Universo Ultimate no início dos anos 2000.

Absolute Superman chega com capa cartão e lombada canoa (grampo) contendo 64 páginas do nosso herói, e com as edições 1-2 de Absolute Superman.

Logo nas primeiras páginas vemos Krypton e sua organização, uma sociedade utópica na aparência, mas moralmente corroída por dentro. Aqui Rafa Sandoval entrega várias sequências visualmente deslumbrantes, torres translúcidas e naves cortando o céu.

Aaron cria uma estratificação social em Krypton não apenas por um elemento narrativo, mas em uma alegoria direta sobre o nosso mundo contemporâneo, sobre meritocracia, desigualdade e ilusão de progresso racional que encobre injustiças.

Aaron constrói Krypton como um espelho frio da sociedade meritocrática moderna, onde se diz que todos tem chances iguais, mas suas condições iniciais já determinam o percurso, assim como um kryptoniano nasce para ser cientista, mecânico, minerador ou político, um livre-arbítrio que foi abolido em nome da eficiência.

Logo de início somos apresentados aos pais de nosso jovem Superman, Kara e Jor-El, que eram mecânicos e mineradores trabalhando de forma isolada da sociedade como é possível ver de acordo com a localização deles.

Após esse breve contexto Jason Aaron mostra Superman em uma das minas de uma corporação multinacional, a Corporação Lázaro, localizada em um território brasileiro, empregando pacificadores que são uma força armada que servem a manutenção da ordem corporativa, em um mundo cínico onde a moral é um produto e o heroísmo é ameaça.

Assim Kal-El, agora adulto, começa a agir em situações de abuso, salvando os mineiros de se expor a neve cancerígena de um depósito de amianto além de conseguir retirar os diamantes da mina e já entregar triturado para os civis.

Após isso vemos que a corporação Lázaro fica revoltada com isso e encontra Kal em uma das casas e já começa um embate dos pacificadores com o novo homem de aço, que aqui começa a apresentar os novos poderes e também as novas limitações do Superman.

A repórter Lois Lane, aqui é reimaginada como uma agente de campo e correspondente da corporação, é designada para observá-lo. Inicialmente Cética, ela o vê como um animal fora de controle. Mas à medida que vai testemunhando seus atos e o vê arriscar a vida por desconhecidos, começa a duvidar de seus oficiais.

A segunda edição intensifica o conflito e vemos que Brainiac está por trás do sistema da Corporação Lázaro, observando de longe e de maneira sutil o Superman e até mesmo sugerindo maneiras diferentes de capturar o herói, como “Balas químicas de nível onze” mais uma vez reforçando que nesse mundo a paz é a todo custo, mesmo que isso represente algum mal a Lois Lane que se encontrava algemada com Kal-El.

Logo é possível ver o tamanho estrago que a companhia vai causando, não só para o Superman, mas para as pessoas ao seu redor por querer impor sua vontade aos outros de maneira autoritária e violenta.

Aqui podemos ver mais do heroísmo de Kal, com Jason Aaron constrói momentos de força simbólica a capa do Superman não é um tecido, mas uma manifestação viva de partículas Kryptonianas chamada de Poeira, que até mesmo cura ferimentos dos civis.

Paralelamente o roteiro mostra flashbacks de Jor-El vendo que seu mundo está apodrecendo por dentro, mas sabe que ninguém vai ouvir ele por ser de uma casta mais baixa, a história por sua vez, ecoa a ideia de que as civilizações, seja Kryptoniana ou Humana, estão sempre a beira do colapso quando deixam de ouvir a verdade.

No fim da edição, Lois é ordenada a relatar sua experiência com o Superman, porém o sistema comandado por Brainiac logo o reconhece como uma ameaça e diz que tem que ser exterminado, mas ela escreve manualmente o seu relatório, rejeitando o sistema automatizado da corporação, finalizando esse volume com Superman indo para a Venezuela e Lois terminando o seu relatório falando sua verdadeira opinião, enquanto na vila dos mineiros os pacificadores abrem fogo aos civis para impor respeito.

Absolute Superman de fato não tem um início tão bom quanto o seu irmão Absolute Batman, porém ainda redefine vários conceitos clássicos do personagem e promete ser bem promissor no futuro conforme mais o mundo for sendo explorado, de qualquer forma, serve para novos leitores e mesmo para os fãs do escoteiro azul da DC que por sua vez esses podem ser os mais afetados pelas mudanças feiras por Jason Aaron.

Continua…

PATONERD | ABSOLUTE SUPERMAN VOL.1

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