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Assistimos | Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986)

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Falar de Os Aventureiros do Bairro Proibido é entrar em um território meio estranho do cinema. É ação, é fantasia, é comédia… e ao mesmo tempo não parece nada disso direito. É o tipo de filme que você termina e pensa: “isso foi bagunçado… mas eu gostei”. E não é pouca coisa.

A primeira grande sacada do filme é o protagonista. Kurt Russell interpreta Jack Burton como se ele fosse o herói principal. Ele fala como herói, age como herói, se comporta como herói.

Só que… ele não é.

Essa é a piada central do filme. Enquanto Jack Burton acha que está salvando o dia, quem realmente resolve as coisas é o amigo dele. Burton é basicamente um coadjuvante com síndrome de protagonista (e isso é maravilhoso).

É como assistir alguém jogando videogame no modo fácil e ainda assim errando os botões.

Os Aventureiros do Bairro Proibido
Os Aventureiros do Bairro Proibido

Um roteiro que parece um delírio (e funciona)

A história é um caos, mas tem seu organização.

Tem magia, espíritos, uma maldição milenar, um vilão sobrenatural que precisa casar para recuperar o corpo físico, guerreiros que parecem ter saído de um clipe de rock dos anos 80 e relâmpagos sendo disparados do nada.

Em qualquer outro filme, isso seria um desastre.

Aqui… funciona.

E funciona porque Os Aventureiros do Bairro Proibido não tenta explicar tudo de forma séria. Ele aceita o absurdo e segue em frente. Não existe aquela pausa para “explicar a lore”. É tipo: aconteceu, aceita e continua.

E honestamente? Melhor assim.

Lo Pan é um dos vilões mais icônicos justamente porque ele parece saído de outro planeta. Literalmente.

Ele é meio fantasma, meio imperador, meio entidade ancestral, e completamente exagerado. E isso casa perfeitamente com o tom do filme.

Ele não é ameaçador no sentido clássico. Ele é estranho. E isso acaba sendo mais fantástico.

O humor do filme não é baseado em piada direta o tempo todo.

Grande parte da comédia vem da situação. Do absurdo. Do fato de que o protagonista está completamente perdido, mas continua agindo como se tivesse controle da situação.

É um humor meio seco, meio involuntário, e exatamente por isso funciona tão bem.

Direção e identidade

Aqui entra o dedo de John Carpenter em Os Aventureiros do Bairro Proibido.

O filme tem uma identidade muito própria. Ele não tenta ser um blockbuster padrão. Ele mistura referências de filmes de artes marciais, fantasia oriental e ação americana dos anos 80 de um jeito meio “tanto faz, vamos ver no que dá”.

E dá certo porque o filme não tem vergonha do que é.

Hoje em dia, muita coisa seria suavizada, explicada demais ou padronizada. Aqui não. Ele simplesmente existe.

O que envelheceu… e o que não

Nem tudo é perfeito.

Os efeitos especiais claramente são da época. Algumas cenas parecem meio datadas. E o ritmo em certos momentos pode parecer estranho para quem está acostumado com filmes mais modernos.

Mas o mais curioso é que isso não atrapalha tanto.

Porque o filme nunca foi sobre realismo. Ele sempre foi sobre estilo. E Os Aventureiros do Bairro Proibido segue muito original.

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PATÔMETRO
Conclusão
Os Aventureiros do Bairro Proibido é um filme que não deveria funcionar. Mas funciona. Ele é bagunçado, exagerado, às vezes sem sentido… mas tem personalidade de sobra. E isso hoje em dia é raro. É um clássico cult não porque é perfeito, mas porque é único. E no meio de tantos filmes que seguem fórmula, isso já vale muito. Se você entrar esperando um filme tradicional, talvez estranhe. Se entrar aceitando o caos… provavelmente vai se divertir.
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8
7.7
NOTA FINAL

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