O gênero de terror nos videogames vive um momento curioso. Enquanto as grandes produções buscam o realismo absoluto de fios de cabelo e reflexos perfeitos, uma vertente independente tem olhado para o passado para buscar o medo. É o chamado Analog Horror ou Terror Analógico. Recentemente, tive a oportunidade de desbravar The Backrooms 1998 – VHS Horror Game, e o resultado é uma experiência que prova que o clima e a estética ainda superam a contagem de polígonos quando o assunto é tirar o sono do jogador.
O Início de um Pesadelo Encontrado
Tudo começa com uma premissa clássica de “found footage” (filmagens encontradas). O jogo nos coloca na pele de um jovem em 1998. A introdução é magistral na sua simplicidade: estamos vendo o que parece ser uma filmagem real de um grupo de amigos andando de skate. É nostálgico, é cru e parece inofensivo. Mas, em um piscar de olhos, o chão cede. O asfalto dá lugar ao carpete úmido e ao papel de parede amarelado.
Sem aviso, somos jogados nas “Backrooms”, aquele labirinto infinito de salas vazias que se tornou uma das maiores lendas urbanas da internet. A transição é seca e eficiente, removendo qualquer sensação de segurança que o mundo exterior oferecia.

A Estética como Protagonista
Muitos desenvolvedores tentam replicar o visual de fitas VHS, mas poucos o fazem com a competência de The Backrooms 1998. O jogo não possui gráficos extremamente realistas no sentido técnico da palavra, mas ele é visualmente impecável na sua proposta. O filtro de imagem, os chiados, as distorções cromáticas e a proporção de tela evocam uma sensação de desconforto imediata.
A imersão aqui não vem da textura de alta resolução, mas da sujeira da imagem. O “ruído” visual faz com que seu cérebro tente preencher as lacunas do que você está vendo nos cantos escuros dos corredores. É o terror do “não saber”, potencializado por uma câmera que treme de forma orgânica e uma iluminação que parece sempre prestes a falhar.
O melhor de tudo? O jogo roda de forma extremamente fluída. Em um mercado onde muitos títulos indies sofrem com otimização, encontrar um game que mantém a performance estável enquanto entrega uma atmosfera tão densa é um ponto muito positivo para a experiência.
O Som do Silêncio (e do que se esconde nele)
Nas Backrooms, o som é seu melhor amigo e seu pior inimigo. O zumbido constante das luzes fluorescentes é irritante por design, criando uma base de ansiedade que nunca desaparece. Quando esse zumbido é interrompido por um passo pesado ou um som de algo sendo arrastado, a reação é instantânea: o pânico.
A exploração é pautada pela claustrofobia. Os ambientes são apertados e os ângulos de visão limitados pela própria lente da câmera VHS. Quando o “ser medonho” que habita esse lugar decide aparecer, a perseguição é frenética. Não há mapas complexos ou bússolas; há apenas o seu instinto de sobrevivência e a busca desesperada por respostas sobre como sair daquele lugar.
Veredito
The Backrooms 1998 é uma aula de como usar a nostalgia e as limitações estéticas a favor do medo. Ele entende que o terror das Backrooms não é apenas sobre monstros, mas sobre a solidão em um lugar que não deveria existir.
Para quem busca uma experiência imersiva, que respeita a lore original mas adiciona elementos de gameplay sólidos e uma ambientação de tirar o fôlego, este título é obrigatório. É um lembrete sombrio de que, às vezes, as coisas mais assustadoras estão escondidas em fitas velhas de 1998 que deveriam ter permanecido perdidas.
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.

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