Répteis genocidas invadindo a humanidade através do tempo e você recrutando figuras históricas como Cleópatra e Einstein para impedir o fim da civilização? Isso parece roteiro de filme B de ficção científica dos anos 80.
Depois de jogar a demo, posso dizer uma coisa: a ideia é absurda. E funciona mais do que deveria.
Publicado pela Numskull Games, o jogo é um roguelite tático por turnos com estética retrô e foco pesado em estratégia com poderes temporais malucos.
Mas calma. Nem tudo é genialidade histórica enfrentando lagartos interdimensionais.
Premissa
A invasão reptiliana atravessa eras, e só os maiores nomes da história podem impedir o desastre. Você recruta personagens icônicos de diferentes períodos e monta um esquadrão improvável para enfrentar exércitos de lagartos ao longo do tempo.
É exagerado. É brega. E é exatamente esse o charme.
O jogo abraça o absurdo com convicção, o que evita aquela sensação de vergonha alheia. Ele sabe que é uma ideia maluca.
Jogabilidade
Aqui está o que realmente importa.
Reptilian Rising é um tático por turnos em grid, claramente inspirado em clássicos do gênero, mas com uma camada roguelite que altera cada tentativa.
O sistema de combate é direto. Movimento em grade, habilidades específicas por personagem e inimigos com padrões próprios. O diferencial está nos chamados poderes temporais, que permitem manipular ordem de turno, alterar efeitos ou quebrar regras momentaneamente.
E isso é interessante.
Nos primeiros combates, parece simples demais. Mas conforme você começa a entender como combinar habilidades de figuras históricas com efeitos temporais, o jogo ganha profundidade.
Por exemplo, usar uma habilidade ofensiva e depois reverter parte do turno para reposicionamento cria situações estratégicas criativas. É nesse momento que o jogo mostra potencial real.
Mas a demo também expõe limitações.
A variedade de mapas ainda é pequena para uma avaliação mais honesta. Algumas batalhas começam a parecer repetição estrutural com inimigos levemente modificados.
O balanceamento também ainda parece em ajuste. Em alguns momentos, senti que a dificuldade sobe rápido demais sem introduzir novas ferramentas suficientes para lidar com isso.
Sistema Roguelite
A progressão entre runs traz melhorias, desbloqueios e novas combinações possíveis.
Funciona bem como incentivo para continuar tentando.
Mas na demo, o loop ainda é curto. Dá para ver que existe uma base sólida, porém ainda não completamente expandida.
Se o jogo completo ampliar drasticamente o número de personagens históricos, habilidades e variações de cenário, o potencial é enorme.
Se não ampliar, corre o risco de ficar repetitivo.
Personagens históricos
Aqui está o ponto mais divertido.
Controlar figuras como Cleópatra e Einstein não é só algo estético. Cada personagem tem habilidades únicas que refletem, de forma estilizada, suas características históricas.
Não é algo ultra profundo narrativamente, mas adiciona identidade ao elenco.
O problema é que, na demo, você ainda não vê diversidade suficiente para explorar todas as possibilidades. Fica aquela sensação de “quero testar mais combinações”.
O que é bom e frustrante ao mesmo tempo.
Direção de arte
Visualmente, Reptilian Rising aposta forte em pixel art retrô. Ele não tenta parecer moderno. Ele quer parecer um clássico reimaginado.
As animações são simples, mas funcionais. Os répteis têm design caricatural que combina com o tom quase pulp sci-fi do jogo.
A trilha sonora acompanha bem..
Nada impressiona tecnicamente, mas tudo é coerente com a proposta.
Pontos positivos da demo
🟢Premissa ousada e bem assumida
🟢Sistema tático interessante
🟢Boa base roguelite
🟢Personagens históricos com identidade
🟢Combate acessível mas estratégico
Pontos que precisam evoluir
🔴Variedade limitada na demo
🔴Balanceamento ainda irregular
🔴Loop pode se tornar repetitivo se não expandir conteúdo
Conclusão
Reptilian Rising é um daqueles jogos que poderiam facilmente ser só uma piada visual. Mas ele vai além.
A demo mostra um tático competente, com boas ideias e um diferencial claro nos poderes temporais. Ele ainda precisa crescer em variedade, balanceamento e profundidade estratégica, mas a base mostrada nessa demo é promissora.
Não é revolucionário. Ainda não.
Mas é criativo, tem personalidade e já demonstra uma identidade própria.
Se a versão completa expandir o elenco histórico, aumentar a diversidade de mapas e ajustar o balanceamento, pode se tornar um roguelite tático realmente marcante.
A demo não prova que ele é grande. Prova que ele tem potencial.
E às vezes isso já é suficiente para ficar no radar.
O Patobah agradece a Numskull Games pela licença
Demos não recebem nota

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