Se você acha que a Atari simplesmente “sumiu” do mercado de consoles… a história não é tão simples assim.
Eu sou Ramos Bueno, e seja bem-vindo ou bem-vinda a série Games tem História.
A verdade é que a Atari não saiu do mercado por escolha. Ela foi, basicamente, atropelada por uma sequência de erros… muitos deles cometidos pela própria empresa.
Pra entender isso, a gente precisa voltar no tempo.
Lá no final dos anos 70 e começo dos anos 80, a Atari era simplesmente gigante. O Atari 2600 dominava as salas das primeiras gerações de gamers. Pra muita gente, videogame era sinônimo de Atari.

Só que esse sucesso todo acabou virando um problema.
Na prática, não existia um controle rígido de quem podia lançar jogos para o console. E isso abriu as portas para uma enxurrada de títulos de qualidade duvidosa.
Resultado? O mercado começou a ser inundado por jogos ruins… e quando eu digo ruins, são ruins mesmo.
A confiança do público começou a ir pro ralo.
E aí veio o golpe final.
Em 1983, aconteceu o famoso crash dos videogames. Um colapso gigantesco na indústria, principalmente nos Estados Unidos. E a Atari estava bem no meio do furacão.
Dois jogos ficaram marcados como símbolo desse desastre.
O primeiro foi o jogo do E.T., desenvolvido às pressas para aproveitar o sucesso do filme. O resultado foi um dos jogos mais criticados da história.

O segundo foi o Pac-Man do Atari. Apesar de ter vendido milhões de cópias, ele era muito inferior ao arcade… e acabou decepcionando muita gente.
Só que a Atari cometeu um erro ainda maior: produziu cartuchos em quantidade absurda, chegando ao ponto de fabricar mais unidades do que o próprio número de consoles disponíveis no mercado.
E aí… não vendeu.
O resultado foi estoque encalhado, prejuízo gigantesco e um mercado completamente desacreditado, tanto na Atari quanto no futuro dos videogames.
E não parou por aí.
Internamente, a situação também era caótica. A empresa, que era controlada pela Warner, enfrentava conflitos pesados entre executivos e desenvolvedores.
Muita gente talentosa saiu… e alguns desses profissionais acabaram fundando empresas que se tornariam gigantes, como a Activision.
Ou seja, além de perder dinheiro, a Atari também perdeu seus cérebros.
E enquanto tudo isso acontecia… a concorrência se organizava.
A Nintendo entrou no mercado americano com o NES e fez exatamente o que a Atari não fez: criou regras rígidas, estabeleceu controle de qualidade e reconstruiu a confiança do público.

Basicamente, ela ajudou a recuperar um mercado que estava desacreditado.
E a Sega também começou a dar seus primeiros passos com o SG-1000. Ainda de forma tímida, é verdade… mas foi o início de uma jornada que mais tarde colocaria a empresa como uma das grandes rivais da Nintendo.

A partir daí, a Atari nunca mais conseguiu recuperar o protagonismo.
Ela até tentou voltar ao jogo com novos consoles, como o Atari 5200, o 7800 e, mais tarde, o Jaguar… mas já era tarde.

O mercado já tinha novos líderes.
Nintendo e Sega dominaram a indústria, iniciaram a famosa guerra dos consoles e definiram toda uma geração de jogadores.
E a Atari? Ficou pra trás como protagonista.
E aí chegamos à conclusão:
A Atari não saiu completamente do mercado… mas perdeu o topo. Hoje, eventualmente lança uma versão retro de seus consoles, e passou a investir em IPs (jogos) para diferentes plataformas.
Ela não caiu porque os concorrentes eram impossíveis de vencer.
Ela caiu porque errou demais, na hora errada… enquanto todo mundo ao redor começou a fazer melhor.
É aquele clássico da história dos games, e da tecnologia em geral:
Não basta ser pioneiro… tem que saber se manter no topo.
Fico por aqui… e até a próxima.
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