Seguindo a linha do já bem recebido EvoCreo, a Ilmfinity Studios repete a fórmula e segue em vista do lançamento de EvoCreo 2, previsto para abril deste ano.

Nós, da Patobah, agradecemos a oportunidade do acesso antecipado a uma cópia do segundo jogo e ainda que vá ficar visível que, infelizmente, o jogo não supriu as expectativas criadas em torno do primeiro, é uma grande honra ver a empresa se posicionando de forma tão aberta a críticas e análises, como foi o caso.
PREMISSA E PROPOSTA
Em EvoCreo 2 você assume o papel de um dedicado agente público, ocupando o cargo de policial e investigador, prestes a entrar em uma jornada que envolverá principalmente o combate contra uma equipe que entra abertamente em conflito direto com o poder local, alegando e defendendo sua proposta de que por meio de ataques e sequestros, liberte todos os monstros sob controle humano.
Oque se você por um acaso tiver tido contato ou interesse prévio com outras franquias do gênero de Captura de Monstros, pode perceber que esse enredo de “libertação” em muito lembra jogos passados, principalmente um consagrado dentro da indústria.
Isso de cara já nos mostra o quanto a Ilmfinity Studios tem claramente um carinho pelo gênero e pelos pilares que fundaram vários jogos desse nicho. E ainda que, nitidamente não tenham acesso aos mesmos recursos, tentam com tudo o que têm à disposição, criar um jogo satisfatório.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
Como seu antecessor e replicando o que já é uma fórmula consagrada dentro do gênero, EvoCreo 2 não se distancia tanto do que já é familiar para os fãs desse tipo de jogo. O que se por um lado agrada pela fácil inserção no ritmo da história, também pode frustrar e te levar a pensar que está pagando por um produto que não tem tanta coragem de fugir do comum.
Aqui você vai andar de um ponto ao outro, geralmente passando por regiões turbulentas e cercadas de inimigos que ocupando os mais diferentes pontos e motivos, vão de alguma forma, te desafiar para batalhas envolvendo os seus monstros de estimação.
Nessa parte da gameplay também não fugimos do que já é consagrado. Você vai poder atacar diretamente o seu adversário com golpes físicos ou elementais, tirar vantagem a partir da aplicação de status negativos e da manipulação de movimento do inimigo ou, por fim, usar habilidades que recuperem sua vida ou mexam no balanço energético que cada criatura possui.
Balanço energético esse que disfarça um sistema de pontos, a fim de evitar que você insista repetidamente em um mesmo ataque. E isso, claro, abre um certo leque estratégico para o jogo.
O que é uma pena porque você não sente que vai muito além disso, dada a forma como o jogo te força a seguir uma “fórmula de time certo”, excluindo outras combinações que você poderia vir a fazer, mas que aqui infelizmente são frustradas pela afinidade de tipagem de algumas criaturas contra outras que, por uma larga margem, vão te causar mais dano e impossibilitar certas escolhas de time.
Mas quanto a isso, explicaremos mais à frente na nossa review.
DIREÇÃO DE ARTE
E se a nossa opinião sobre a gameplay de alguma forma já está te posicionando de forma decisiva a não dar uma chance para o jogo, peço que reconsidere ao nos ouvir falar sobre a escolha artística desse jogo. Porque para mim e para tantos outros que possam ser saudosistas e velhos fãs do estilo, EvoCreo 2 traz de volta a sensação de estar assistindo e jogando uma obra extraída diretamente do início do gênero de monstros.
É, por natureza, uma evolução do seu antecessor, tanto graficamente quanto no seu estilo, que por mais que ainda se mantenha de forma retraída dentro do que conhecemos como “pixel art”, também trás sua própria personalidade e ousa em um design de monstros cativante e transformador a cada nova evolução que você alcance.
Porque aqui à medida que a sua criatura evolui e alcança novos patamares, traz com ela também a sensação de que você tem uma jornada com aquela companhia que vai além de uma simples ideia de colecionismo. O jogo consegue despertar uma simpatia por monstros que, ainda que seja possível ver inspirações aqui e ali, possuem sua própria personalidade.
Para mim, é quando EvoCreo 2 brilha e quem sabe, pode ser também o que vá te fazer dar uma chance, mesmo com as problemáticas que vamos retomar e explicar mais à frente.
ENTÃO, ONDE O JOGO NOS DECEPCIONOU?
Principalmente pela sua execução.
EvoCreo 2 como um sucessor não só espiritual mas direto na linha do seu antecessor, trouxe consigo a expectativa de que teria aprendido com as falhas do passado e que não só otimizaria sua gameplay, como também poderia agora com mais experiência no time, garantir uma história mais fluida e envolvente.
Só que o que você na realidade vai encontrar, é um enredo que por muitas vezes, não só parece extremamente genérico como, independentemente do seu progresso na história, não consegue gerar uma identificação forte. Em alguns momentos ele até flerta com uma sensação de infância ligada a outros jogos do gênero, mas isso rapidamente se perde, já que o roteiro insiste corriqueiramente em vender o protagonista como algo muito além de uma criança.
Aqui ele tem deveres, uma noção vaga de moral e ocupa um cargo que, para quem está acostumado com a abordagem mais ingênua de outras franquias, pode soar estranho e dificultar a conexão com o ritmo do jogo.
Isso sem falar que, mecanicamente, a gameplay que no primeiro jogo poderia ser entendida como um protótipo, aqui já não tem mais margem para isso. Você diversas vezes vai entrar em batalhas que não só passam uma sensação de monotonia, como se elas fossem todas iguais, como também se tornam extremamente frustrantes por forçarem a progressão baseada em níveis (ao extremo) e na busca cansativa por monstros com vantagem de tipagem.
Isso acaba, como falamos em um dos tópicos anteriores, quebrando o ritmo e de certa forma, tirando a liberdade do jogador em montar o time que mais lhe agrada, por exemplo, visualmente. EvoCreo 2 frequentemente acaba te empurrando para o oposto, como se você fosse “obrigado” a seguir uma fórmula de melhores combinações de tipos.
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“No gods or kings. Just ducks.”
