Boa Leitura!

Recomendação | Entre Paredes

Se você já se perdeu nas ruas enevoadas e cheias de culpa de Silent Hill, já explorou mansões decadentes e cheias de segredos em Alone in the Dark, ou já sentiu o coração acelerar ao apontar a câmera em Fatal Frame para registrar espíritos que os olhos humanos não conseguem ver, então Entre Paredes vai te acertar em cheio.

Entre Paredes
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Gisele Carmona constrói um terror psicológico nacional que vai muito além da fórmula “casa mal-assombrada”. A história gira em torno de Mirela, uma mulher que carrega um passado marcado por violência e trauma familiar. Após tentar recomeçar a vida ao lado de Ana e de um pequeno grupo de amigos, ela se vê presa em uma casa misteriosa e labiríntica, onde portas levam a lugares impossíveis, memórias ganham forma física e o sobrenatural parece se alimentar dos fantasmas emocionais que cada um carrega.

A premissa inicial pode lembrar clássicos do gênero (um grupo que entra na casa para provar que o sobrenatural não existe), mas a autora aprofunda a narrativa de forma inteligente. Assim como em Silent Hill, o verdadeiro horror nasce da mente dos personagens por conta de traumas não resolvidos, culpa e dor que se materializam de maneiras cada vez mais opressivas. A casa em si evoca os cenários exploráveis e claustrofóbicos de Alone in the Dark, com cômodos que desafiam a lógica e uma sensação constante de que algo te observa por trás das paredes.

E aqui entra um dos elementos que mais aproximam o livro de Fatal Frame, um dos personagens utiliza um meio de captação de vídeo e imagens para enxergar o que os olhos humanos não conseguem ver. Essa mecânica cria momentos de tensão pura — aquela mistura de curiosidade e pavor ao registrar o invisível —, tornando as cenas ainda mais imersivas.

O grande diferencial de Entre Paredes, porém, não está só no sobrenatural. Gisele Carmona equilibra o terror com o drama humano. Os personagens (principalmente Mirela e Ana, casal protagonista) são profundos, cheios de camadas e feridas reais. O sobrenatural funciona como um espelho que reflete questões pesadas como violência doméstica, relações afetivas marcadas por dor, fé e a possibilidade de superação. A escrita é intensa, sombria e ao mesmo tempo carregada de momentos de ternura que contrastam com a opressão da casa.

A narrativa flui bem e, apesar de ter um tamanho relativamente compacto (cerca de 220 páginas), para muitos leitores pode ser necessário fazer pausas na leitura para digerir o peso emocional. A atmosfera é sufocante e viciante. Você sente as paredes se fechando junto aos protagonistas.

Entre Paredes

Entre Paredes é um excelente lançamento independente do terror nacional. Para quem ama jogos como Silent Hill, Alone in the Dark e especialmente Fatal Frame, o livro oferece aquela sensação familiar de vulnerabilidade e descoberta. Ele assusta, incomoda e, ao mesmo tempo, faz refletir sobre os “fantasmas internos” que carregamos.

Se você gosta de terror que te prende não só pelo medo, mas também pela profundidade dos personagens e da casa que parece viva, vale muito a pena.

Onde comprar? AQUI (Importante ressaltar, a classificação indicativa do livro é 18 anos).

Conheça mais sobre a autora: Gisele Carmona

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