Boa Leitura!

Cancelamento de Sands of Time frustra fãs e expõe erros da Ubisoft

  • Home /
  • Artigo /
  • Cancelamento de Sands of Time frustra fãs e expõe erros da Ubisoft

Por anos, Prince of Persia: Sands of Time Remake foi aquele jogo que todo fã tinha certeza que uma hora ia chegar. Não hoje, não amanhã, mas algum dia. O problema é que esse “algum dia” foi se afastando tanto que, na prática, virou um cancelamento silencioso. E para uma geração inteira que cresceu rebobinando o tempo no PlayStation 2, isso dói mais do que uma queda mal calculada sem areia mágica no bolso.

Quando o remake foi anunciado, a ideia parecia simples e poderosa. Pegar um dos jogos mais amados da Ubisoft, dar um tapa visual moderno, ajustar controles, refinar animações e devolver o Príncipe ao trono que ele mesmo ajudou a construir. Só que o projeto nasceu torto. Mudanças de estúdios, críticas pesadas ao visual inicial, silêncio prolongado e reinícios de desenvolvimento foram transformando expectativa em desconfiança.

Em determinado ponto, o que existia já não era mais um remake em andamento, mas um projeto constantemente refeito. Na indústria, isso é quase um palavrão. Cada reinício é tempo jogado fora, dinheiro queimado e moral de equipe indo embora. Mesmo quando a Ubisoft afirmou que o jogo ainda existia, a sensação para quem está de fora é clara: aquele Sands of Time que foi prometido simplesmente não vai acontecer da forma que imaginaram.

E isso pesa porque o projeto estava longe de ser algo embrionário. Havia versões jogáveis, assets prontos, animações refeitas, sistemas de combate e movimentação sendo testados. Não era uma ideia no papel, era um jogo em construção. Cancelar, reiniciar ou engavetar algo nesse estágio nunca é uma decisão leve. Significa admitir que meses, talvez anos de trabalho, não vão chegar às mãos do jogador.

O impacto financeiro disso é enorme. Desenvolver um jogo não é só pagar programador e artista. Envolve marketing inicial, contratação de estúdios externos, licenças, infraestrutura e tempo. Muito tempo. Quando um projeto é cancelado ou reiniciado várias vezes, o custo final dispara sem gerar retorno. Para a Ubisoft, que já vem lidando com resultados instáveis e reestruturações internas, isso é mais um rombo difícil de justificar para investidores e para o próprio time criativo.

Mas o impacto mais cruel não é o financeiro. É emocional. Prince of Persia não é só uma marca antiga. Ele representa uma era em que a Ubisoft arriscava mais, criava protagonistas carismáticos e histórias que iam além do mapa lotado de ícones. Uma geração inteira esperava esse remake como um reencontro com a própria adolescência. Cada adiamento reacendia a esperança. Cada silêncio prolongado apagava um pouco dessa chama.

Existe também um desgaste de confiança. Quando uma empresa anuncia um projeto, recua, reformula, promete de novo e some, o jogador aprende a não acreditar mais. O próximo anúncio já nasce sob suspeita. Isso afeta vendas futuras, engajamento e até o carinho pela franquia. Não é só um jogo que se perde, é a relação entre estúdio e comunidade que vai se rachando.

No fim das contas, o cancelamento prático de Prince of Persia: Sands of Time Remake simboliza um problema maior da indústria moderna. Projetos grandes demais, decisões corporativas engessadas e medo de errar acabam matando exatamente aquilo que fez esses jogos serem amados no passado. Sands of Time nasceu criativo, ousado e cheio de identidade. Ver seu retorno naufragar dessa forma é um lembrete amargo de como até os clássicos podem virar vítimas do próprio legado.

Para os fãs, fica a frustração e a memória. Para a Ubisoft, fica a conta e a lição, se ela quiser aprender. Porque brincar com o tempo pode funcionar dentro do jogo. Fora dele, o preço sempre chega.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Facebook
X
WhatsApp
Telegram
Threads
Email

Categorias