Quem joga hoje no Xbox provavelmente conhece o Phantasy Star Online 2 da Sega, mas se tem o 2 onde está o 1? Bom essa resposta se encontra há mais de 20 anos no passado.
Em 2001 a Sega ainda estava no mercado de consoles com seu último esforço chamado Dreamcast, um console que para muitos foi um divisor de águas, mas a revolução estava em um título estreante na plataforma que era o Phantasy Star Online. O primeiro MMO online em um console, um projeto audacioso que trouxe desde o primeiro a temática de ser um RPG ambientado no futuro e não em um mundo medieval místico, embora ele também beba na fórmula mística de jogos do gênero ele consegue encaixar muito bem a ideia sem fazer o jogador se questionar a todo tempo o porquê de um humanoide num futuro longínquo estar atirando bolas de fogo com as mãos contra um dragão em um planeta alienígena… Contudo o jogo estava muito à frente de seu tempo e trouxe diversas inovações para o já inédito esforço da Sega em explorar um segmento ainda embrionário na época.

(Último console da Sega, Dreamcast)
Embora o console da Sega tenha sido descontinuado pouco tempo depois, uma boa parceria foi feita entre a empresa japonesa e a gigante de Redmond que no ano de lançamento do jogo trouxe a existência o primeiro Xbox, uma máquina formidável, forte e que iria mudar os rumos da indústria até os dias de hoje. Com o advento da internet nas casas mais e mais pessoas passaram a estar conectadas, e a Microsoft viu esse potencial e decidiu explorar, no final das contas deu certo e então nasceu a Xbox Live, serviço que ditou os rumos das jogatinas online nos consoles, mas o que isso tem a ver com a Sega e seu jogo? Basicamente tudo! No referido acordo entre as empresas a Sega decidiu não apenas portar o seu jogo do Dreamcast para o Xbox, mas também em expandi-lo com muito mais conteúdo que as versões anteriores de console e PC.
Chegamos então ao ano de 2003 com o lançamento do pioneiro dos MMOs online de console, dessa vez o jogo se passa a chamar Phantasy Star Online Episode 1&2, tendo todo o conteúdo PvE e PvP da versão de Dreamcast, mas agora com uma expansão que se chama Episode 2, trazendo novos mapas, novos equipamentos, mais inimigos, mudança nas habilidades, mais personagens, dobrando o nível máximo do jogador de 100 para 200! e também novas missões exclusivas da versão de Xbox, pois o jogo também foi lançado no rival da Nintendo o GameCube.

(Capa da versão de Xbox)
Dentre as possibilidades a versão de Xbox trazia melhor desempenho em quadros por segundo, resolução maior, conexão com a Internet melhor e também a possibilidade de conversar com seus amigos da party por meio de bate papo por voz recurso esse exclusivo do Xbox. O console trouxe possibilidades incríveis para a Sega com esse grande título, que mesmo não tendo alcançado um número de vendas tão expressivo conseguiu criar uma comunidade extremamente unida e apaixonada pelo game, que até hoje vive por meio de servidores privados como o caso do mais conhecido servidor o Schthack (schtserv.com).

(Era possível se comunicar por texto e voz na versão de Xbox)
Mas vamos ao que interessa, por que esse jogo é uma joia? Vale a pena jogar?
A resposta é um retumbante SIM! Para os amantes de MMO esse jogo foi um divisor de águas que trouxe para os fãs desse tipo de jogo poder jogar no conforto que só um console pode oferecer.
Dentro desse jogo nós podemos escolher três classes com 4 personagens cada, entre eles humanos, Newman (seres humanos modificados) e Android, mas as raças não são apenas estéticas, cada uma delas possui uma característica distinta dentro de sua respetiva classe, como por exemplo humanos sendo mais equilibrados nas habilidades enquanto os androids são pura força. As classes são reformulações das clássicas que vemos em jogos de RPG ambientados em mundo de fantasia, sendo elas:
Hunters: como uma representação dos guerreiros experts em espadas e armas corpo a corpo, mas que não se limitam apenas a esse tipo de arma, podendo também usar magias de dano e suporte, porém essa classe é a mais limitada nesse aspecto alcançando poucos níveis na evolução das magias.
Rangers: atiradores experts com armas de curta, média e longa distância, podendo usar magias de ataque e também de suporte, porém diferente dos Hunters essa classe pode alcançar níveis mais altos das magias, causando mais danos ou dando melhor suporte.
E por fim os Forces: estes por sua vez são os magos do jogo, alcançam o nível máximo de todas as magias, porém a classe tem uma subdivisão onde há uma separação entre magos de puro dano e magos de suporte, no final das contas jogar de mago é um desafio à parte, pois as possibilidades de armas e magias são muito extensas, podendo combinar armas de curto alcance com magias de dano e também buffs e debuffs.


(Artes de todas as classes disponíveis na versão de Xbox)
A história do jogo é bastante simples sem muitas surpresas, deixando o jogador mais focado em simplesmente derrotar cada novo inimigo que aparece pela frente, mas nesse jogo no seu primeiro episódio somos incumbidos de resgatar a filha do prefeito da cidade de Pioneer que desapareceu explorando o então recém descoberto planeta Ragol, logo de cara descemos da nave Pioneer para uma floresta e já somos recebidos pelos animais que se tornaram muito violentos repentinamente, enquanto avançamos vamos encontrando registros da lore do jogo em dispositivos que parecem simular um holograma ou algo do tipo, e assim mapa após mapa vamos desvendando os mistérios do sumiço da moça enquanto também descobrimos o porquê de os seres vivos terem se tornados violentos tão repentinamente, e não se impressione ao enfrentar dragões e outros seres fantásticos como grifos nas lutas contra os chefes, que a cada nível aumentam bastante a dificuldade do jogo. Ao final o maior plot fica por conta do último mapa que na verdade é uma nave responsável por aprisionar o maligno Dark Falz, recorrente vilão da franquia desde o primeiro título no Master System.
Com a expansão intitulada Episode 2 a Sega conseguiu não só apenas trazer mais conteúdo como armas, inimigos e mapas, como também uma melhoria gráfica incrível nos novos cenários, um aumento considerável na dificuldade do jogo e ainda mais desafios com o modo challenge que é um desafio como diz o próprio nome. Nesse modo podemos jogar online ou off-line com até 3 amigos na corrida contra o tempo para tentar fechar ambas expansões em um determinado tempo, afim de recebermos uma arma a nossa escolha em todos os sentidos, esse aspecto traz uma característica única desse jogo, pois em nenhum outro temos a possibilidade de escolhermos e fazermos a recompensa da atividade endgame da maneira que bem desejar o jogador, podendo escolher o tipo da arma, suas características como atributos e ataque especial, como bem o seu nome, e assim cada jogador pode ter uma ou mais armas totalmente exclusivas como recompensa de seu esforço, nesse ponto o jogo é único por si só, e uma experiência impar que não vemos mais nem nos PCs nem nos consoles.

(Uma das maravilhas dos novos hardwares era o coop em tela dividida)
Um título feito com tanto carinho para os jogadores de Xbox vale totalmente a pena, pois ainda hoje podemos jogar esse título com novas quests feitas pela própria comunidade, pois a Sega não limitou as possibilidades do jogo, talvez ela não tivesse mais planos para ele, mas que infelizmente foram encerrados em 2007 devido ao pouco sucesso que o jogo teve comercialmente.
Mas hoje se você entusiasta de jogos futuristas e de RPG bastante complexo se interessou por esse jogo que foi um divisor de águas no segmento tiver o interesse em desfrutar das maravilhas que só ele proporciona, ainda há possibilidades de se jogar no seu querido Xbox ou então PC através do projeto Insignia (Xbox), que possibilita não apenas aos jogadores de Phantasy Star de reviver tempos áureos da indústria, mas vários outros jogos também estão sendo suportados no sistema que visa trazer de volta a nostalgia dos anos 2000. Já pra você jogador de PC através do site schtserv.com é possível baixar a versão de PC feita em 2004 intitulada Blue Burst que conta com novos itens, mapas, missões e muito mais conteúdo, tudo já configurado pelo site do servidor, prontinho para jogar sem esforços.

(Jogadores no coop online, com debuffs no líder da party)
Ao final digo que esse jogo merece a nossa atenção, pois foi um projeto audacioso e de um nível extremamente alto que poucas vezes foi visto na indústria numa parceria que não envolve qualquer exclusividade de ambas as partes, mas que entregou um produto caprichado, competente e que envolve o jogador do início ao fim.

(HUcaseal uma das classes primarias do jogo introduzida na versão de Xbox)
Gabriel Botari (Busuba)
Escritor e entusiasta das plataformas Xbox