Shingeki no Kyojin ou “O Titã de Ataque” em português, é um mangá escrito e ilustrado por Hajime Isayama entre 2009 e 2021. Sua adaptação para o anime, iniciada em 2013, atingiu as notas de 9.1 no IMDB e 96% no Rotten Tomatoes, conquistando milhões de fãs pelo mundo todo. Nesse artigo buscamos destacar 8 razões que fazem de Shingeki no Kyojin um dos melhores animes de todos os tempos. Vem com a gente!
1. Personagens femininas fortes
Mesmo em pleno 2025 ainda é raro testemunharmos personagens femininas em posições de liderança, protagonismo e força.
E é isso o que ocorre no anime Shingeki no Kyojin: temos mulheres liderando esquadrões de combatentes homens, mulheres dividindo o protagonismo da história, mulheres lutando de igual para igual com outros homens, sem qualquer inferiorização.
Pra quem está cansado de ver só homens lutando (e salvando mulheres), esse anime é uma excelente escolha.



2. Enredo extremamente complexo
Nunca foi tão difícil explicar um anime em apenas um minuto.
Claro, você pode resumir dizendo: “Ah, é sobre um grupo de pessoas que vive cercado por muros e busca a liberdade.” Ok. Mas é só isso? Não. Shingeki no Kyojin é muito, muito mais.
A trama é tão complexa que, no final do anime, estamos discutindo conceitos filosóficos profundos, como a Filosofia do Eterno Retorno de Friedrich Nietzsche, que propõe que o tempo não é linear, mas cíclico — ou seja, tudo o que aconteceu no passado está fadado a se repetir no futuro.
Também podemos falar sobre o conceito do Bloco do Universo de Einstein, segundo o qual o tempo não avança em uma única direção, mas faz parte de um bloco do espaço-tempo onde passado, presente e futuro coexistem. Assim, para quem vive dentro desse bloco, a realidade parece seguir uma ordem linear, mas para um observador externo, essa distinção não existe.
Meu Deus, e ainda estamos no segundo tópico!

3. Críticas sociais fortes
Sim, vivemos em um mundo bem porcaria, e uma obra de ficção que pretende ser lembrada pelos próximos 30 anos precisa ir além das expectativas. Não basta apenas um bom enredo, um romance envolvente ou lutas bem coreografadas — é preciso entregar paralelismos. E nisso, Hajime Isayama vai além.
O anime começa com uma crítica social clara: a parcela mais pobre da população vive nas áreas externas da cidade, próximas às muralhas. Assim, são as mais vulneráveis aos perigos externos e as primeiras a morrer, enquanto os ricos desfrutam de luxo nas áreas internas e, muitas vezes, sequer tomam conhecimento dessas mortes.
Mas há críticas mais sutis, talvez nem intencionais. Eu, por exemplo, passei a comer menos carne por causa desse anime (oi?!).

4. Plot twists de dar nó no pescoço
É possível um anime te deixar de queixo caído em quase todo episódio? Sim.
São muitas reviravoltas e surpresas até o último episódio.
5. Respeito com a audiência
Aqui está um ponto muito importante.
Quem cresceu nos anos 90 sabe bem o que são fillers e como é frustrante ver um arco se estender desnecessariamente, apenas enrolando a audiência.
Isso não acontece em Shingeki no Kyojin. Tudo começa e termina no tempo certo, sem aquela sensação de que estão brincando com a sua paciência.
Mais um ponto para SNK. (Alguém se lembra da primeira luta entre Freeza e Goku?)

6. Cenas muito emocionantes
Você já chorou vendo anime? Uma vez? E duas vezes? E dez vezes? Pois é.
Recomendamos assistir com o seu ursinho de pelúcia do lado, porque você vai precisar.
7. Fortes referências na arte clássica
Talvez essa seja uma das minhas partes preferidas. Você sabia que Shingeki no Kyojin faz várias referências a pinturas famosas da antiguidade? Essas referências ajudam a construir o tom épico e trágico que a obra carrega, além de reforçar um certo realismo histórico imaginativo.
Vamos a três exemplos para não cansar o leitor:
📌 “O Colosso” e “Saturno Devorando Seu Filho” – Francisco Goya
Muitos conhecem o pintor espanhol Francisco Goya, mas a pintura O Colosso é pouco conhecida, até mesmo entre seus fãs. Esse quadro foi pintado durante as Guerras Napoleônicas (1803-1815), um período em que a França de Napoleão exercia controle quase total sobre a Europa. A obra foi inspirada em um poema de Juan Bautista Arriaza, que descreve um gigante vindo das montanhas para defender a Espanha da invasão.
Já Saturno Devorando Seu Filho é bem mais famoso e tem um paralelismo visual tão intenso com Shingeki no Kyojin que chega a ser óbvio.


📌 Gravuras de expedições coloniais – Theodore de Bry
O alemão Theodore de Bry foi um ilustrador que, apesar de nunca ter participado pessoalmente das expedições coloniais às Américas, interpretava artisticamente os esboços e relatos deixados por exploradores e colonizadores.
Suas centenas de gravuras retratam rituais, guerras e cenas de canibalismo, oferecendo uma visão artística – e muitas vezes exagerada – do Novo Mundo. A estética dessas ilustrações, com corpos distorcidos e cenas de brutalidade, dialoga com a forma como a violência é representada em Shingeki no Kyojin.

📌 “A Assunção da Virgem” de Ticiano e Guido Reni e “A queda dos Titãs” de Cornelis Van Haarlem.
Temas bíblicos foram retratados por inúmeros artistas ao longo da história, mas quando falamos da Assunção de Maria, as versões de Ticiano e Guido Reni se destacam.
Essas pinturas representam o momento em que Maria ascende aos céus, deixando o plano terreno para se tornar uma figura divina. Em ambas, ela aparece no centro da composição, envolta em luz dourada, ascendendo de forma majestosa. Abaixo, no plano terrestre, os apóstolos observam estupefatos, suas expressões carregadas de emoção.
A dramaticidade dessas cenas, o uso intenso do chiaroscuro (jogo de luz e sombra) e a composição teatral são características marcantes do Barroco – e essa estética é utilizada repetidamente em Shingeki no Kyojin. Repare:




E isso porque nos limitamos a apenas algumas referências! Ainda poderíamos citar a arte de Hieronymus Bosch ou falar do mito de Atlas, entre tantas outras influências artísticas presentes na obra.
8. Trilha sonora arrasadora
E pra encerrar essa lista com chave de ouro, destacamos a trilha sonora que é impecável. A trilha reforça o peso épico e dramaticidade do anime, transformando tudo numa obra de arte de qualidade superior. E não, não estamos falando das músicas de abertura.
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